Expressando indignação diante do que classificou como uma ação deliberada para colocar a opinião pública – em especial os trabalhadores do grupo JBS – contra a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Irregularidades Fiscais e Tributárias no Estado de Mato Grosso do Sul, da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Paulo Corrêa (PR), presidente da comissão, foi contundente ao comentar a decisão da empresa de paralisar as atividades em Mato Grosso do Sul, divulgada na tarde de terça-feira (17):
“Eles [os diretores da JBS] não fecharam por causa da CPI, fecharam porque são criminosos!”, exaltou Corrêa.
A empresa anunciou a decisão, na tarde desta terça-feira, como o Página Brazil noticiou, alguns dias após a CPI ter sido atendida pela Justiça de Mato Grosso do Sul, em dois pedidos de bloqueio de bens e recursos, que totalizaram R$ 730 milhões ,na semana passada.
Os bloqueios visam ao ressarcimento dos prejuízos gerados pela JBS ao Estado de MS, pelo não-cumprimento dos compromissos firmados pela empresa, de investimentos em aumento de plantas industriais, número de abates e geração de empregos em contrapartida da renúncia fiscal do Estado.
‘Sem caixa’
Com as decisões judiciais, que a JBS alega terem afetado diretamente o seu capital de giro, os salários dos trabalhadores foram atrasados e nessa terça-feira foi anunciada a paralisação das atividades nas unidades de MS.
O presidente da CPI ponderou: “Os recursos são do capital de giro da empresa? Eu também sou da iniciativa privada! Ora, a JBS não tem um imóvel que possa dar em garantia? Agora, quem tem que nos procurar? A JBS! Eu sou presidente da CPI e não recebi ninguém até agora. Não recebi uma ligação! Então eles não têm interesse mesmo. Eles não fecharam por causa da CPI. Eles fecharam porque são criminosos!”
E analisou: “Durante todo o tempo, a JBS negociou forte – com seu poder econômico – com o governo do Estado. Agora a Assembleia Legislativa tem um instrumento que se chama CPI, que conseguiu que fossem bloqueados recursos financeiros para proteger os interesses do Estado de Mato Grosso do Sul. Eu sou um deputado. Se eu soubesse que estão lesando o Estado e não fizesse nada eu estaria prevaricando!”
E acrescentou: “É uma estratégia deles para desviar o foco do que eles são, uma empresa não-confiável para o Fisco de Mato Grosso do Sul. Jogaram todos os funcionários do grupo e produtores contra a CPI”.
Expectativa
Corrêa afirmou ainda esperar que a empresa reconsidere a decisão e que para isso conta com o apoio dos produtores rurais do estado:
“Está faltando uma perna nessa mesa de negociação. Além dos funcionários – para os quais nós garantimos ontem (17) que vão estar garantidos os empregos – faltam os produtores rurais. Nós estamos convidando a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) para participar das negociações”, concluiu.
A garantia mencionada pelo deputado foi feita na tarde desta terça-feira, em reunião dos deputados com representantes dos trabalhadores, na sala da presidência da ALMS. A reunião ocorreu logo depois da sessão dessa terça-feira, em que dois mil funcionários da JBS protestaram no plenário da Casa de Leis.
Silvio Ferreira
O presidente da CPI que investiga as irregularidades que vieram à tona com o acordo da JBS com a Procuradoria Geral da República (PGR) (Foto: Silvio Ferreira)
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