Deputado é acusado de cobrar propina em processos para contratação de empresa e de construção de navios
Humberto Marques
A PGR (Procuradoria-Geral da República) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal pedido para abertura de dois inquéritos contra o deputado federal Vander Loubet (PT). Assinados pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, os processos visam a verificar a ocorrência de crime de corrupção passiva que teriam sido cometidos pelo parlamentar sul-mato-grossense e foram abertos a partir de depoimentos de colaboradores, tratando de fatos envolvendo a Petrobras.
Não são as primeiras denúncias movidas pela PGR contra Vander sob a mesma acusação. Em março, a Procuradoria reiterou pedido de condenação contra o parlamentar federal
A abertura dos inquéritos foi divulgada pela assessoria da PGR. Em um dos casos, Vander é suspeito de solicitar o pagamento de vantagem indevida para atuar no processo de contratação, por parte da Petrobras, de uma empresa dos Estados Unidos para fornecimento de asfalto.
Na outra denúncia, o deputado federal é acusado de cobrar para interferir na participação em concorrência internacional para construção e afretamento de embarcações PLSV (Pipe Layer Supply Vessel) para a Petrobras –Vander foi denunciado ao lado de mais dez pessoas.
Via assessoria, o deputado e seus advogados afirmam desconhecer as acusações, “bem como o teor da peça elaborada, de maneira que não há como comentar a respeito”. A nota, porém, destaca que Vander “está à disposição da Justiça para elucidar quaisquer fatos que sejam necessários”.
Raquel Dodge também denunciou o senador Renan Calheiros (MDB-AL) por fatos semelhantes, narrados por colaboradores da PGR. Depoimentos indicam que o senador teria pedido vantagem indevida para contratação de empresa para montar e operar centros de defesa ambiental em bases operacionais da Transpetro.
Reiterado – Em março, Dodge reiterou pedido de condenação de Vander, de seu cunhado, Ademar Chagas, e de Pedro Bergamaschi por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com pagamento de multa e indenização, bem como a perda do mandato do deputado federal e de seus direitos políticos –e sua prisão.
Vander foi acusado de receber R$ 1,02 milhão por meio do doleiro Alberto Yousseff entre 2012 e 2014, em 11 pagamentos em espécie e depósitos bancários, de forma a impedir rastreamento pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A procuradora-geral apontou na ação que a distribuição de cargos federais, incluindo diretores da BR Distribuidora, funcionava como instrumento para arrecadação de propinas.Os denunciados negam as acusações –Vander sustentou nulidade em interceptações de mensagens usadas nas apurações e da própria investigação, alicerçada em delações premiadas, “ilações e suposições, em provas precárias, bem como em dados bancários errôneos”.
Vander foi acusado de cobrar propinas em contratos da Petrobras. (Foto: Divulgação/Assessoria)
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