Chamas tem se alastrado e já consumiram mais de 50 mil hectares do bioma
GLAUCEA VACCARI
Em 24 horas, os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram 437 focos no Estado, a maioria nessa região. O acumulado nos últimos cinco dias chegou a 1.432 focos e a área queimada somente no Pantanal foi ampliada para 55 mil hectares.
A pedido do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), o governo do Distrito Federal irá apoiar novamente os trabalhos, com envio de 35 bombeiros e do avião Air Tractor, que tem capacidade para lançar até três mil litros de água nos focos de incêndio. O contingente de brigadistas e as aeronaves de Brasília devem chegar nos próximos dias
Estado solicitou também reforço de 60 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade(Icmbio).
Posto de comando da operação é a fazenda BR Pec, em Miranda, para onde já foram deslocados mais 30 bombeiros do Estado nesta quinta-feira (31).
De acordo com o coordenador da Coordenadoria de Defesa Civil e MS (Cedec), tenente-coronel Fábio Catarinelli, o combate aéreo terá ainda o apoio de um helicóptero do Ibama e o helicóptero Harpia 02 do Grupo de Patrulhamento Aéreo da Polícia Militar (GPA), que estará atuando no transporte da tropa.
Para a comunicação terra-ar foi solicitado apoio logístico do Comando Militar do Oeste (CMO).
O Exército também participa da ação com um caminhão-pipa para abastecer o Air Tractor cedido pelo Corpo de Bombeiros de Mato Grosso e que já está em operação há quatro dias, tendo lançado mais de 100 mil litros de água sobre os focos.
O capitão bombeiro Vinicius Barbosa Gonçalves, que está á frente das operações de campo, informou que os focos estão se concentrando mais ao Sul do Pantanal, devido a força do vento, com grande incidência ainda na BR Pec. Além das equipes, voluntários também auxiliam no combate.
Diretor da fazenda BR Pec, Anderson Vargas agirma que toda área é 100% monitorada por satélite e o pessoal [é treinado treinado para ajudar em casos de incêndios. “Estou aqui [na região] há pouco tempo, mas quem é morador antigo fala que nunca houve um fogo tão intenso como esse. Tivemos uma área muito grande queimada, mas ainda não dimensionamos a extensão e os prejuízos”, disse.
PANTANAL EM CHAMAS
Queimadas que atingem o Pantanal causaram diversos estragos nas cidades da região. A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) estima que pelo menos 50 mil hectares de vegetação nativa foram consumidos desde domingo (27).
A fumaça atrapalha a visão dos motoristas que trafegam pelas rodovias em Mato Grosso do Sul, especialmente a BR-262 perto do cruzamento com a MS-450 entre Dois Irmãos do Buriti e Aquidauana. Ao longo da rodovia, por onde o fogo passou por mais de 60 quilômetros no sentido Oeste-Leste-Sul em linha reta, sobraram cinzas e paus retorcidos onde antes havia vegetação nativa.
O tráfego na BR-262 exige muita atenção devido à fumaça e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) monitora caminhões com cargas de carvão, que circulam diariamente pela via, por conta do risco de fagulhas atingirem as cargas e causarem incidentes.
Névoa cinzenta cobriu o céu de toda a região nesta quinta-feira e o fogo continua avançando, em velocidade que tem dificultado o trabalho de combate das equipes.
O fogo também causa outros transtornos em zonas urbanas. Corumbá foi afetada por diversas oscilações de energia elétrica edesligamento das linhas de transmissão e consequentes variações de tensão na rede elétrica que atende a região, segundo a Energisa.
Já a Oi informou que as queimadas também estão afetando os serviços de internet fixa, causando o rompimento de um cabo de fibra ótica que atende Corumbá e Miranda, afetando parcialmente o serviço. Telefonia fixa e móvel não foram afetadas.



















