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Grupo de Mato Grosso do Sul quer comprovar existência de Ratanabá

Ecossistema Dakila aposta em 3 pilares da geoarqueologia para confirmar que localização apontada, entre Mato Grosso, Pará e Amazonas, teve "ação do homem"

por Alcinópolis News
18 de agosto de 2022
em Destaque, Geral
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Grupo de Mato Grosso do Sul quer comprovar existência de Ratanabá

Empenhados na tarefa de comprovar não só a existência, como também a localização, da “cidade perdida” de Ratanabá, o Ecossistema Dakila – através do trabalho do geoarqueólogo Saulo Ivan Nery, tenta identificar se houve intervenção humana na região das linhas de Apiacás, no Estado do Mato Grosso (MT).

Vale ressaltar que a região estudada pelo grupo corresponde ao encontro de três Estados, Mato Grosso (MT), Pará e Amazonas. Mais recente foi publicado o parecer técnico do geoarqueólogo, em que ele aponta diferenças geológicas que o levaram descartar a hipótese de que as linhas – na região de Apiacás (MT) – são relevos naturais.

Até o momento a equipe que pesquisa a região já sobrevoou a Floresta Amazônica, além de usar a tecnologia batizada de LiDAR – do inglês Light Detection And Ranging – (detecção de luz e alcance), pela qual foi possível “mapear as quadras” de onde possivelmente ficaria localizado Ratanabá.

Ainda na semana passada, em uma live sobre Ratanabá, Saulo comentou as intrigantes linhas que são vistas em fotos divulgadas pelo Ecossistema Dakila, dizendo que elas tiveram origem por mãos humanas.

“Essas linhas vistas pelo LiDAR são cortes antrópicos (ação do homem) no terreno, ou seja, com intervenção do homem. Traços bem retilíneos que pudemos observar sem a vegetação. Em complemento, fizemos um estudo do paisagismo levando em consideração a geologia, geomorfologia, padrão de drenagem e o contexto arqueológico”, argumentou o profissional.

Conforme o geoarqueólogo, a regão monitorada pelo LiDAR nas Linhas de Apiacás – com 95 hectares – sofreu intervenção humana, até pela formação geológica encontrada ali.

“A região é constituída por arenito, sendo um material mais friável e fácil de ser cortado, diferente do granito, por exemplo. Esse é um ponto positivo que apoia a ideia de que os cortes em Ratanabá são antrópicos”, frisa ele.

Importante frisar que, levantamento aéreo foi realizado pela Fototerra, empresa que opera aviões próprios, com licença de voo para aquisições de dados  remotos, com aeronaves registradas no Brasil e monitorados pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e Ministério  da Defesa, com certificação do tipo “A” para operações de pesquisa em território nacional.

“Fica nítido que padrões atuantes da natureza, construídos durante bilhões de anos, são formas bem diferentes do que as identificadas pelo LiDAR. Tendo em vista que essa região [Amazônia] é pouco estudada, os resultados apresentados indicam a presença de alterações no terreno de origem antrópica. Não estou defendendo nenhum tipo de hipótese absurda, mas falando que esses traços, chamados de quadras, não foram obra da natureza”, reforçou Saulo, após a explanação técnica da formação ambiente.

Elias Martins foi o comandante da aeronave na missão, e o operador de equipamentos especiais, Wallace Assumpção Silva.

“Operamos voo em dias alternados com base no tempo, pois muitas nuvens, neblina e qualquer outra variação do clima, influenciam nos resultados. Abaixo da aeronave, o céu precisa estar completamente limpo para que o pulso de laser entre com precisão no foco principal”, explica Wallace.

Já o comandante cita a surpresa ao ver o que seriam as “quadras” de Ratanabá.

“De repente surgem uns quadrados perfeitos que formam quarteirões; até perguntei o que seriam aquelas marcas e fiquei surpreso”, lembra.

Através do idealizador do Ecossistema, Urandir Fernandes de Oliveira, Ratanabá foi assunto de repercussão nacional, após seu encontro com o ex-secretário Especial da Cultura, Mario Frias.

Urandir é criador da chamada “Cidade do uturo – Pérola do Universo” (Zigurats), que começou a ser construída há cerca de 25 anos em Corguinho (MS).

Em Zigurats, ele atrai visitantes através da arquitetura peculiar – das construções com  tetos arredondados; atividades socio-culturais; serviço de hotelaria; quadras poliesportivas; restaurantes e quiosques; venda e locação de imóveis e até um sistema econômico próprio, a moeda BDM (Bônus Dourado Mundial), que pode adquirir tudo no local.

Como aponta o próprio Ecossistema em expansão, os próximos passos para modernização que caminha para independência de Zigurats, são o hospital e universidade que estão sendo construídos na região.

Com cerca de 20 páginas, o parecer técnico do geógrafo Saulo Ivan Nery, com as alegações que sustentam a existência de Ratanabá, pode ser acessado CLICANDO AQUI. Agora, a iniciativa é iniciar uma visitação in loco à região.

Conheça Ratanabá

Segundo o instituto Dakila Pesquisas, Ratanabá foi capital do mundo há 450 milhões de anos. Soterrada na Amazônia, a cidade perdida apresenta ramificações por toda a América do Sul.

“Trata-se de um verdadeiro império que foi submerso pela lama e tomado pela floresta. Foi fundado pelos Muril, primeira civilização da Terra, e possui monumentos bem preservados, alguns em formato piramidal, além de galerias subterrâneas ligando a outros países”, afirma Urandir.

Como destacou o ex-secretário, que afirma não ter visitado os locais na época por conta de um “pré-infarto”, a região de Ratanabá corresponderia a 32 quadras, com linhas simétricas (de Apiacás) no meio da floresta no Estado do Mato Grosso.

“Com as descobertas sobre Ratanabá, todas as demais construções antigas espalhadas pelo mundo farão sentido sobre sua existência”, disse Urandir durante Live realizada há duas semanas.

Ratanabá é historicamente viável?

Vale ressaltar que a ciência aponta que a primeira espécie de hominídeos apareceu sobre a Terra há apenas 450 mil anos, os chamados Homo heidelbergensis.

Os mais famosos “homo sapiens” teriam surgido num período ainda mais “recente”, entre 250 e 150 mil anos atrás.

Eduardo Goés Neves é professor do Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Laboratório de Arqueologia dos Trópicos do Museu de Arqueologia e Etnologia da mesma instituição e classificou a informação de Ratanabá como um “desserviço à arqueologia”, em entrevista ao G1.

Como bem destaca Neves, nem os dinossauros existiam há 350 milhões de anos. “Se alguém falasse que existiram cidades na Amazônia há 3.500 anos eu até pensaria que essa era uma questão para tentar entender melhor e pesquisar. Agora, uma civilização há 350 milhões de anos? Não existe a menor possibilidade disso”, expõe o arqueólogo.

 

LEO RIBEIRO

 

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