Por Marcelo Parreira, TV Globo, Brasília
(Foto: Reprodução)
pós mais de três meses de espera, a Polícia Federal cobrou do presidente do Congresso Nacional, Eunício Oliveira (PMDB-CE), os registros de entrada na residência oficial do Senado.
A PF quer saber se ex-dirigentes da Odebrecht estiveram no local, conforme relatado em uma das delações premiadas. O pedido foi feito no âmbito do inquérito que investiga o senador Renan Calheiros (PMDB-AL).
>> Leia mais abaixo os detalhes do pedido e o que disse o delator da Odebrecht
O G1 procurou a assessoria de imprensa do Senado e aguardava resposta até a última atualização desta reportagem.
Entenda o pedido
Os dados pedidos pela PF, se enviados, farão parte de um inquérito aberto pós a delação da Odebrecht para investigar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL).
Segundo relatos de delatores, Renan Calheiros e o governador de Alagoas, Renan Filho, teriam recebido doações de campanha como contrapartida à atuação do senador que teria beneficiado uma das empresas da Odebrecht.
Em novembro do ano passado, o delegado Bernardo Amaral enviou a Eunício Oliveira um ofício no qual pediu os registros de entrada na residência oficial entre 2012 e 2017 para verificar se cinco pessoas, todos ex-dirigentes da Odebrecht ou de empresas subsidiárias, estiveram no local.
No último dia 21 de fevereiro, Amaral enviou, então, um novo ofício, reiterando o pedido de informações. O não recebimento dos dados foi um dos motivos apontados pelo delegado para pedir ao Supremo Tribunal Federal a prorrogação das investigações.
Delação
A delação do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho serviu de base para o pedido de informações da PF.
Melo Filho disse à PGR que a reunião em que foram pedidos recursos para a campanha de Renan Calheiros e de Renan Filho ocorreu na residência oficial do Senado, quando o senador presidia a Casa.
O delator também disse em depoimento à Polícia Federal que, ao fim da reunião de Renan com executivos da empresa, o senador teria dito: “Meu filho será candidato, contamos com vocês.”
Para Cláudio Melo Filho, o senador “deixou subentendido que contava com a colaboração financeira da Braskem [subsidiária da Odebrecht] para a campanha do filho dele”.
À Polícia Federal, Renan Calheiros admitiu ter pedido a Cláudio Melo Filho recursos de campanha para o PMDB de Alagoas, mas negou que fosse contrapartida à atuação parlamentar.
Atraso na Câmara
Na semana passada, o G1 mostrou que uma situação semelhante acontece na Câmara. A PF aguarda há mais de cinco meses o envio de dados da CPI da Petrobras. As informações foram pedidas pelo mesmo delegado.
Os dados serão utilizados no inquérito que investiga o deputado federal João Carlos Bacelar (PP-BA), acusado por um delator de ter vazado informações sigilosas da comissão para a Odebrecht.
A assessoria do presidente da Câmara informou que os dados dependem de análise pela Comissão Especial de Documentos Sigilosos, que deve se reunir esta semana para tratar do assunto.








