Mesmo com a coligação nacional selada entre o PSB e o PT do presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva, o PSB em Mato Grosso do Sul deve abraçar a pré-candidatura de Eduardo Riedel (PSDB), que já anunciou ser apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição e principal adversário do ex-presidente petista.
O PT firmou pacto com o PCdoB e o PV por meio da federação de partidos, modelo que obriga as siglas a serem tocadas como se fossem uma só legenda durante todo o mandato a ser conquistado.
Já a coligação do PT com o PSB vale apenas até a eleição, podendo ser desfeita logo em seguida.
O deputado estadual Paulo Duarte, que deixou o MDB e se filiou ao PSB em março, disse ter trocado de partido por influência de um “amigo de anos”, que o convidou a entrar na legenda.
Duarte, candidato à reeleição, disse que o amigo que o convenceu a seguir para o PSB foi Ricardo Ayache, presidente regional da legenda em Mato Grosso do Sul.
Antes da filiação, o parlamentar disse ter avisado Ayache que já havia acertado que ia apoiar a pré-candidatura do tucano Eduardo Riedel. Com o aval do camarada, ele assinou ficha no PSB.
“Eu, como deputado estadual, vou apoiar o [Eduardo] Riedel para o governo. Vou discutir as questões estaduais, é um compromisso já firmado com o presidente [Ayache]. Agora, as questões nacionais quem define é o presidente estadual do partido”, afirmou o parlamentar.
Paulo Duarte contou também que a possibilidade de o PSB entrar como parceiro de Riedel na briga pela sucessão do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) é uma “tendência já discutida dentro do partido [PSB]”.
A reportagem ouviu dois filiados ao PSB, sem cargos importantes dentro da sigla, mas que preferiram não ver os nomes publicados, que também confirmaram a perspectiva do deputado Paulo Duarte, ou seja, a intenção de o PSB em apoiar Eduardo Riedel já tem sido debatida entre os partidários.
A reportagem tentou confirmar o eventual cenário,, que sugere a aliança entre o PSB e o PSDB com Ricardo Ayache, o presidente estadual do partido, mas ele não atendeu às chamadas por telefone nem respondeu mensagens por aplicativo de texto.
Próximos a ele disseram à reportagem que Ayache dedica a maior parte do seu tempo à Cassems, daí a dificuldade de encontrá-lo com tempo para discutir política.
TENTATIVA FRUSTRADA
O apoio do PSB já foi pretendido pelo PSD do pré-candidato Marquinhos Trad, ex-prefeito de Campo Grande. Trad convocou uma coletiva de imprensa, em fevereiro, para dizer que Ricardo Ayache, o chefe estadual do PSB, era o “perfil ideal” para concorrer ao governo como seu vice.
Ayache preside a Cassems, o plano de saúde dos servidores públicos estaduais, um dos principais de MS, com laboratórios e hospitais construídos e bem estruturados. À época do convite, Ayache disse ter ficado “honrado”, mas que quem deveria indicar se aceitaria ou não era o partido.
O PSB fez depois um encontro estadual na Câmara Municipal de Campo Grande: Marquinhos foi lá, sentou-se ao lado de Ayache, mas, ainda assim, naquele evento o assunto não foi tratado.
Os dias foram passando, e a possibilidade de Ayache virar vice de Marquinhos foi esquecida. Ainda nesta semana, o ex-prefeito de Campo Grande, em declaração à imprensa local, mostrou-se inclinado a não debater mais o tema.
Ele disse que só deve escolher o vice para concorrer ao governo ao se lado no meio do ano, período das convenções partidárias.
NACIONAL
No dia 8 de abril, o PSB oficializou a indicação do nome do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin como vice-presidente na chapa de Lula (PT) nas eleições presidenciais deste ano. O evento ocorreu em um hotel na zona sul de São Paulo.
Carta entregue pelo PSB ao PT na ocasião diz não restar dúvidas sobre a parceria.
“Não temos qualquer dúvida de que é o companheiro Lula quem reúne as melhores condições para articular forças políticas amplas, capazes de dar à resistência democrática a envergadura que permitirá enfrentar e vencer o bolsonarismo”, diz trecho.
Apesar do ato realizado em abril, a formalização da aliança para efeitos estatutário e de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve ocorrer apenas em 4 e 5 de junho, quando está marcado o encontro nacional da sigla.
Nessa data, o PT também vai confirmar as alianças do partido nos estados.
CELSO BEJARANO
correiodoestado.com.br









