DEM é um partido dividido entre Azambuja e André na corrida à sucessão estadual
Como o ônibus do tucanato está superlotado, não há mais espaço para acomodar novos aliados de peso político e eleitoral em torno da pré-candidatura do governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Este vem sendo o maior obstáculo para o DEM fechar aliança com os tucanos.
A falta de garantia aos deputados federais – Luiz Henrique Mandetta e Tereza Cristina – de concorrerem à reeleição com chance de vitória afasta o partido do palanque do PSDB. Já os deputados estaduais José Carlos Barbosa, o Barbosinha, e Zé Teixeira preferem ficar com Azambuja nas próximas eleições.
Mas ao DEM interessa mais a eleição de um ou mais deputado federal a ter deputados na Assembleia Legislativa. Portanto, a orientação da cúpula nacional dos democratas é promover aliança com a perspectiva de eleição de representante na Câmara dos Deputados.
Esta seria uma das razões de o presidente regional do DEM e ex-prefeito de Dourados, Murilo Zauith, ter dificuldade de acertar aliança em Mato Grosso do Sul.
A decisão, segundo Murilo, está nas mãos de Mandetta e Tereza Cristina. “Eles se queixam de o PSDB estar inflado e de o MDB estar esvaziado”, comentou o dirigente democrata. Mas amanhã, assegurou Murilo, o partido terá definição concreta sobre o rumo a tomar na sucessão estadual.
“Com certeza, sábado sairá a fumaça branca. Habemus alliance! [Temos aliança]”, afirmou Murilo. Mandetta e Tereza Cristina se reuniram na quarta-feira (18) com o presidente nacional do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto, para discutir sobre aliança em Mato Grosso do Sul.
Murilo disse que a prioridade é de Mandetta e Cristina. “Os deputados federais têm o poder sobre o fundo partidário. Tem o dinheiro na mão para campanha eleitoral. Agora, precisa definir é a segurança deles nas eleições”, comentou o presidente regional do DEM.
Depois da definição dos deputados federais, Murilo administrará como acomodar os deputados estaduais. Hoje, há racha no partido. Os estaduais não têm interesse em se aliar ao MDB, até por falta de estrutura logística para tocar a campanha eleitoral. No PSDB, eles terão esse apoio. Os federais estão mais preocupados não só com a estrutura, mas com a reeleição.
Murilo reconheceu a prioridade de o partido eleger deputados federais. É com o tamanho da bancada que se forma o valor do fundo partidário. “Ninguém quer perder dinheiro”, comentou. “Por isso, estamos aguardando encaixar os dois federais”, ressaltou.
O DEM recebeu a mesma proposta do PSDB e do MDB para fechar aliança. Os dois ofereceram a vaga de vice-governador e a do Senado. A primeira seria destinada a Mandetta e a segunda para Murilo.
O dirigente democrata, no entanto, enfatizou estar mais preocupado em resolver os problemas dos deputados a discutir a sua pré-candidatura ao Senado.
“No sábado, acaba essa indefinição”, afirmou Murilo. Segundo ele, o grande problema até agora “é a insegurança dos deputados federais”. Murilo observou que o tempo está ficando cada vez mais curto para ficar adiando indefinidamente a decisão sobre aliança. “Vamos para convenção do dia 4 de agosto com tudo arrumado”, afirmou.
Por ADILSON TRINDADE
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