As manifestações contra a eleição de ‘carta marcada’ que estão ocorrendo em todo país repercutiram na sessão desta quinta-feira (3) no plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
O protesto é contra o resultado das eleições no Brasil, ‘vencida’ pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após ele ser “descondenado” pela justiça como manobra para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro (PL).
Lula foi condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro público. Além do mais, os apoiadores de Bolsonaro e o próprio presidente da República questionam a forma como o sistema eleitoral foi conduzido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
De acordo com denúncias, Bolsonaro foi prejudicado em razão de várias decisões tomadas pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, que também é presidente do TSE.
Consequência da insatisfação em relação ao resultado das eleições, parte da população brasileira foi às ruas e rodovias federais protestar pelo resultado das urnas.
Em em Mato Grosso do Sul, também houve ações, e o assunto chegou na tribuna da Assembleia.
Para o deputado Pedro Kemp (PT), 3º secretário da Casa, o processo foi legítimo e democrático.
“Ambos candidatos disputaram as eleições, concordando com as regras do jogo. Quando perdemos nas urnas, temos que acatar o resultado da escolha soberana da população. Os manifestantes pedem uma intervenção militar que nem cabe no artigo 142, da Constituição Federal (CF), citado por eles. É necessário respeitar quem foi eleito. Essa manifestação é contra o estado democrático de Direito”, relatou.
“Não há fundamento nesse movimento, quando é por garantia de direitos, é diferente. Mas o motivo agora é a não aceitação do resultado de um pleito. Sou psicólogo e acredito que muitas pessoas ali precisam de ajuda profissional. Recebi vários vídeos que demonstram atitudes desesperadas e fora da realidade, como um em que as pessoas faziam a saudação nazista. As pessoas tem que entender que quando entram em competição, vão ganhar ou perder”, declarou Pedro Kemp.
O deputado Zé Teixeira (PSDB), 1º secretário da Casa de Leis, destacou que o processo da eleição transcorreu na legalidade.
“O movimento é democrático e a manifestação é legal, se não impede de ir e vir, a manifestação é legal. Já o pedido que eles fazem, quem tem que julgar se é procedente é o Poder Judiciário. Não é democrático impedir o trânsito nas estradas. Temos um Congresso muito qualificado para atuar junto a presidência do País”, frisou.
“É necessário pacificar os ânimos e continuar trabalhando para que essa nação possa trabalhar com respeito e dignidade. A eleição já houve, já passou. O presidente Bolsonaro disse ontem que nas rodovias tem que ser respeitada a Constituição Federal. Temos que ter um cuidado enorme com o que será dito, e o que será feito. E investir no que realmente fará o País desenvolver, Saúde, Educação, Infraestrutura e outras áreas que precisar. Não existe motivo algum para que haja intervenção militar no Brasil, atualmente”, concluiu Zé Teixeira.
Apesar das posições distintas dos parlamentares sul-mato-grossenses, o que o povo defende é a lisura das eleições consideradas para muitos fraudulentas.
Os deputados abordaram as manifestações (Foto: Alems)
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