Quem já não viu enlatados antigos de Hollywood que destacam um posto de combustível de auto atendimento no meio do nada com aquelas bolas de galhos rolando ao sabor do vento tipo cidades como Kansas City? Guardadas as proporções geográficas e temporais quem chegava ao povoado dos Chapadões dos Gaúchos – no início da década de 70 – se deparava com um posto de combustíveis. Era o marco civilizatório mais moderno da época e sinal que os carros não teriam pane seca. Já era alguma coisa no meio do Serrado. Abundante mesmo eram a fauna e a flora e a necessidade de construir um futuro, uma cidade.
O foto da capa, postada pelo produtor rural João Tontine já pode ser comparada com um momento “moderno” de Chapadão do Sul pela presença de uma carreta Scânia e alguns pioneiros com barro pela canela. Era final da década de 80 e – pelo visto – esta carreta estava atolada no barro. Pela ordem: João Tontini / Tenório / Samuel Schlatter / Venturino Coletto e Ari Petenan que vivenciaram este momento com muita intensidade. “Quem chega primeiro bebe água limpa” e todos prosperaram a seu modo.
Assim como a cidade é uma “célula viva” que passa por formatação constante para acompanhar o tempo ficamos imaginando como seria a profissão de professor de História no início da década de 70. O que tinha para contar daquele momento de uma cidade em construção. Os alunos eram filhos dos pioneiros que precisam ser alfabetizados e – ao mesmo tempo – ajudar os pais nos trabalhos do campo como semear, plantar, mexer com máquinas agrícolas da época e colher. Este era o foco. Logo a seguir muitos jovens foram embora estudar em grandes centros para voltar e dar continuidade à saga agrícola daqueles que iniciaram a colonização.
O livro da professora Ana Maria Laurindo Lorenzon intitulado “Os Pioneiros” ainda é um excelente ponto de partida para imaginar as dificuldades da época. Como era o cotidiano daqueles que vieram antes? O único posto de combustíveis era em Costa Rica. Deixar faltar diesel ou gasolina nem pensar. Uma vez por mês passava um funcionário do supermercado Esquerdão de Cassilândia fazendo pedidos do rancho que chegaria somente 15 dias depois com gêneros básicos.
Roupas eram adquiridas do Sr. Antônio que vinha de Santa Fé numa Perua Kombi cheia de badulaques. Era o xodó (Shopping) das mulheres da época, o que tinha para o momento e todas ficavam felizes. Compravam vestuário para os maridos, filhos e a família toda. A partir da década de 80 muitas famílias do Rio Grande do Sul – outros estados – começaram a chegar. Neste contexto surgiu a televisão, telefone e vicinais e o então distrito de Cassilândia começava a deslanchar.
Alguns pais vinham do pouso Alto, Pedra Branca trazer os filhos na escola e muitos ficaram esperando o término das aulas para a retomada das tarefas nas propriedades. Estavam sempre presentes nas escolas e sabiam o desempenhos dos filhos, conversavam com os professores, interagiam com a comunidade estudantil. Ônibus escolar para pegar alunos nas escolas, asfalto, internet e vários postos de combustíveis seriam serviços que levariam décadas para os pioneiros daquela época. Eles trabalham duro para atingir o nível do Chapadão do Sul contemporâneo. A história precisa ser recontada esporadicamente.
chapadensenews.com.br









