No Mato Grosso antigo e no novo Mato Grosso do Sul, Paixão destacou-se como o melhor árbitro do futebol estadual
Gilson Cavalcanti Ricci – Advogado
Lourival Ribeiro da Paixão foi convocado para apitar os jogos no campeonato do Paraíso Celestial. Sua vida no Paraíso Terreno foi pródiga de grandes realizações humanas. Como militar, Suboficial da Força Aérea Brasileira, preencheu uma relevante folha de bons serviços prestados à Pátria.
Como árbitro de futebol profissional, deixou um rastro de notável austeridade e imparcialidade no Campeonato Sul-Mato-Grossense de Futebol, como também no Campeonato Brasileiro de Futebol, apitando, como árbitro da CBF, jogos importantes, como por exemplo Operário e Corinthians, em 1984, e vários outros pelo Brasil afora.
No Mato Grosso antigo e no novo Mato Grosso do Sul, Paixão destacou-se como o melhor árbitro do futebol estadual, chegando a ser elogiado pela imprensa esportiva nacional.
Tornou-se uma lenda em Campo Grande por apitar impecavelmente vários jogos, destacando-se os embates entre Operário e Comercial, quando a torcida de ambos os times jamais reclamou de algum erro ou malícia do árbitro Paixão.
A performance austera e imparcial do árbitro Lourival Ribeiro Paixão é digna de aplauso e de admiração. Homenageá-lo post mortem com um apito de ouro, a ser entregue à sua família, seria merecida honra à sua memória. Fica aqui a sugestão.
Todavia, Paixão não se destacou apenas na arbitragem no futebol brasileiro. Nos anos oitenta, assumiu a presidência da União Beneficente dos Subtenentes e Sargentos das Forças Armadas – UBSSFA, uma das mais antigas entidades sociais de Campo Grande.
Em suas gestões à frente da tradicional União dos Sargentos, Paixão deixou um legado de congraçamento entre os militares e os servidores civis, introduzindo em seus estatutos sociais vários benefícios, que garantiam ao sócio, além de lazer, outros benefícios de suma importância na educação e nos esportes, os quais, posteriormente às administrações de Paixão, foram suprimidos por incerteza e vulnerabilidade da economia nacional.
Os bailes semanais, durante a administração do presidente Paixão, tornaram-se famosos na cidade, reunindo, nos salões do clube, grande número de participantes, atraídos pelo conforto e pela boa variedade de guloseimas e de bebidas finas do bufê; pela atração multicolorida dos enfeites dos salões; e, sobretudo, pela excelente qualidade das orquestras e dos intérpretes contratados para animação dos bailes.
Paixão não se descuidou de trazer a Campo Grande vários artistas de renome nacional, que encantavam os habitués da União dos Sargentos e atraiam grande número pessoas durante a apresentação de aplaudidos artistas do cenário artístico nacional, como Perla, Mário Zam, Sérgio Reis e muitos outros ícones da música de raiz sertaneja.
No aspecto musical de Mato Grosso do Sul, os bailes da “União” eram animados por destacados conjuntos de chamamé e polca paraguaia, como também ritmos gaúchos e nordestinos, como o vanerão e o forró.
Eram muito animados aqueles bailes! Muitos habitués, após a era administrativa do presidente Paixão, deixaram de comparecer por vários motivos incidentes, notadamente pela situação preocupante da economia nacional, como já exposto, que obrigou à parcimônia nos gastos, e assim as entidades sociais quedaram em decréscimo de atividades, o que refletiu – e reflete – nas reuniões sociais da cidade.
Não posso encerrar esta modesta crônica sem reportar-me aos memoráveis bailes carnavalescos da União dos Sargentos no tempo da Administração Paixão. Eram os mais animados da cidade.
As dependências do clube ficavam repletas de foliões, que pulavam e dançavam até o dia amanhecer. Muitas vezes fiquei lá, curtindo o barulho frenético do samba e da animação dos foliões.
Paixão tinha o cuidado de zelar pela segurança, e, assim, havia um grupo selecionado de homens e de mulheres preparados para manterem a tranquilidade dos foliões.
Naquele tempo, eu estava no pleno exercício da Advocacia e, durante seis anos seguidos, tive a honra de patrocinar as causas da nossa querida União dos Sargentos.
Nesse ponto, posso afirmar categoricamente que os bailes carnavalescos, na época da gestão do nosso pranteado Lourival Ribeiro da Paixão, eram pacíficos, sem desordem e briga no recinto, pois a segurança era comandada diretamente pelo presidente, e, assim, a festa transcorria em perfeita ordem e segurança.
Deixo aqui meus sentimentos de pesar pelo falecimento do nosso admirável comandante, que sabia angariar a simpatia de todos e o respeito à sua pessoa. À sua família, as minhas condolências, não conseguindo segurar uma lágrima de saudade a correr pelo meu rosto octogenário.
correiodoestado.com.br









