A Serra das Araras, a serra mais romântica do Brasil, conhecida também por Serra do Figueirão, infelizmente foi palco do mais grave acidente automobilístico da História de Figueirão em 1971. Era festa de agosto, a vila estava lotada de romeiros, proprietários rurais, boiadeiros, fotógrafos e comerciantes de todos os gêneros e recantos do Brasil. Os festeiros eram José Zeferino Santana e Marcelino Barbosa Fernandes. Os bailes abrilhantados pela famosa dupla sertaneja Curioso e Barqueirinho, artistas da rádio difusora de Aquidauana. Eram nove noites de festa, todas corriam com muito respeito e devoção, sem nenhuma ocorrência policial. Eu me lembro de um senhor que vinha todos os anos com duas sacolas de miudezas, já com dificuldade para se locomover implorava sorrindo: tadim do Tonho, compre do Tonho, ajude o Tonho. Essas frases viralizavam dias e meses no vocabulário da gurizada. Na segunda noite de festa, lá pra meia noite, dois jovens voltavam para casa e encontraram nas proximidades do Córrego do Mato, pedindo socorro, um senhor que se identificou como o Trinta e dois, comerciante de Costa Rica. Havia capotado o jeep na descida da serra do João Russo, ao entardecer, e após várias horas se rastejando conseguiu chegar até ali.O socorro aconteceu imediato. Dos cinco passageiros que vinham assistir a nossa festa, três estavam mortos emprensados entre o carro e uma enorme pedra: dois homens e uma criança. Agonizando havia uma mulher gravemente ferida. Uma das vítimas fatais era o sanfoneiro Osorão, acordionista que com seu parceiro Pedro Beleza animavam sempre as nossas festas . A noite de alegria se acabou em velório. O corpos foram devolvidos aos familiares, a mulher faleceu depois em consequência do acidente e o Trinta e dois foi hospitalizado por longos dias e submetido à cirurgia. A pequena população figueirãoense com menos de quinhentos habitantes, apavorada e remorciada se dividia em grupos para comentar o acidente da Serra do Figueirão.
Professor Admar de.
Historiador figueirãoense









