Figueirão na década de 50, possuiu uma relevante fábrica de cachaça, de propriedade de Dedi Antônio Martins, em sua fazenda Cuia Marcha. Entrevistei o Nego Pinheiro, grande artesão figueirãoense, conhecedor de história e ex-funcionário da indústria da Cana Velha. Seu Dedi mantinha umas 50 hectares em plantação de cana-de-açúcar e 30 trabalhadores diretos. As máquinas eram movidas pelo córrego Cuia Murcha que fora desviado de seu leito transformando-se em um possante rego d’água que descia por uma bica de tamboril até à enorme roda. O projeto era de autoria de seu sobrinho, o engenheiro José Leandro Martins. A indústria produzia uma média de 350 barris anuais. A produção abastecia a região de Figueirão e Camapuã , o excedente tinha mercado seguro em Campo Grande. Era uma pinga pura, do engenho, daquelas que faziam rosário no copo. Certo dia, eu e meu primo Carlito, no bolicho do tio Nego, não resistimos o cheiro da “Dom Dedi”, apelido carinhoso que lhe puseram, bebemos quase um litro, tomamos o maior fogo e ainda levamos surra de nossas mães. Tiveram tantas coisas importantes em nosso município que não podem ficar no anonimato.
Professor Admar
Historiador figueirãoense.








