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Mato Grosso do Sul perdeu na manhã desta terça-feira, 23 de junho de 2026, um dos nomes mais emblemáticos da sua história política e administrativa. Faleceu, aos 87 anos, o ex-governador do Estado e ex-prefeito de Campo Grande, Marcelo Miranda. O líder político estava internado há aproximadamente 20 dias no Hospital Unimed, na Capital, onde recebia tratamento severo contra uma pneumonia, somada a complicações renais e cardíacas crônicas confirmadas por seu filho, Paulo Cançado.
A perda gerou imediata repercussão em diferentes regiões do estado, com destaque para o município de Coxim, onde Miranda deixou um dos legados físicos mais marcantes da educação local.
O Legado Inesquecível em Coxim: A História do “Marcelão”
Na região Norte do Estado, mais especificamente em Coxim, o nome de Marcelo Miranda confunde-se com a própria identidade da comunidade escolar. Foi durante o seu mandato como chefe do Executivo Estadual que o município recebeu as estruturas da Escola Estadual Padre Nunes, uma das maiores e mais importantes unidades de ensino da região.
A magnitude da obra e o impacto social na época foram tão expressivos que a população, em uma homenagem espontânea que atravessou gerações, rebatizou o local. Até os dias atuais, a unidade é amplamente conhecida por estudantes, professores e moradores apenas como “Marcelão”. A estrutura tornou-se um símbolo vivo de sua passagem pelo governo.
Da Engenharia de Jupiá ao Topo do Poder Político
Mineiro de Uberaba (MG), Marcelo Miranda construiu sua base profissional e pessoal fincada no solo sul-mato-grossense a partir de sua formação técnica:
Início na Engenharia: Chegou à região na década de 1960 para trabalhar na histórica construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá, um divisor de águas na infraestrutura entre Três Lagoas (MS) e Castilho (SP);
Desbravador de Estradas: Atuou no Departamento de Estradas de Rodagem (DER), sendo peça-chave na engenharia e implantação de mais de 4,5 mil quilômetros de estradas vicinais e rodovias que integraram o estado recém-criado;
Prefeito de Campo Grande: Entrou na política na década de 1970 apoiado por caciques como Pedro Pedrossian e Levy Dias. Como prefeito da Capital, revolucionou a cidade com o Projeto Cura, um plano de macro-infraestrutura que levou asfalto, redes de água e colégios a bairros inteiros;
Governador de MS (1987-1991): Eleito para o cargo máximo do Estado, comandou Mato Grosso do Sul em um período de transição democrática e intensa expansão de prédios públicos e educacionais, enfrentando também uma das arenas de oposição política mais acirradas da história sul-mato-grossense;
Reta Final no DNIT: Seu último grande ato público foi comandar a Superintendência Regional do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) em MS, cargo técnico que exerceu com pulso firme entre 2003 e 2012.
Imagem: Divulgação








