Promotor Marcos Alex Vera entrou com ação contra contratos com agências responsáveis por campanhas
Por Marta Ferreira
Está pronto para decisão do juiz da Primeira Vara de Direitos Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande pedido do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para bloquear R$ 35 milhões em recursos públicos reservados para investimento em campanhas publicitárias, sob alegação de que deveriam ser usados na saúde. O governo do Estado alerta, na manifestação ao juiz responsável, José Henrique de Neiva Carvalho, que a solicitação pode colocar em risco justamente iniciativas para preservar a saúde da população em temos de pandemia de covid-19.
Conforme o documento, além das campanhas voltadas à prevenção à pandemia pela covid-19, estão recebendo atenção campanhas consideradas prioritárias e obrigatórias, como o combate à dengue, a vacinação do rebanho bovino contra febre aftosa e a conscientização da população sobre a violência contra a mulher, tendo em vista, inclusive, os indicadores desse tipo de crime.
A Procuradoria assegura que “ante a situação grave enfrentada pela saúde pública mundial, os contratos de propaganda e publicidade do Estado de Mato Grosso do Sul estão sendo totalmente direcionados a campanhas de caráter educativo, informativo e de orientações sociais à população sul-mato-grossense atinentes à área de saúde e social”.
Prestação de contas – São relacionadas oito tipos de informativo em desenvolvimento, com alertas à população sobre novo coronavírus, dengue, combate à violência doméstica, informações aos pequenos empresários e ao setor econômico diante da crise e aos donos de veículos e motoristas sobre funcionamento do Detran, além de explicações sobre como acessar serviços do governo em temos de isolamento social contra a pandemia.
“A publicidade institucional realizada pelo Estado veio justamente em reforço não só às ações de saúde necessárias à prevenção e enfrentamento da pandemia, como ainda de orientação social às mulheres, em especial, e à população, em geral, sobre serviços públicos via atendimento digital neste momento de crise e distanciamento social”, relembra o material.
Saúde – O governo também elencou o quanto está dispensando para a saúde especificamente, comparado à publicidade. Relata que a despesa do setor essencial é 2.152% acima daquela realizada com ações de divulgação institucional.
“Enquanto em 2019 foram investidos R$ 54.098.307,28 (cinquenta e quatro milhões, noventa e oito mil, trezentos e sete reais e vinte e oito centavos) em publicidade, na Saúde, o investimento foi de R$ 1.218.312.713,73 (um bilhão, duzentos e dezoito mil, trezentos e doze reais, setecentos e treze, e setenta e três centavos)”.
“Já entre janeiro a abril de 2020, foram liquidados R$ 20.093.612,35 (vinte milhões, noventa e três mil, seiscentos e doze reais e trinta e cinco centavos) em publicidade, enquanto na Saúde já foram investidos R$ 364.694.915,79 (trezentos e sessenta e quatro milhões, seiscentos e noventa e quatro mil, novecentos e quinze reais e setenta e nove centavos)”.
Para a Procuradoria Geral do Estado, está demonstrado que as alegações do promotor “não apresentam abrangência e nem profundidade quanto à realidade das políticas públicas do governo do Estado de Mato Grosso do Sul”.
campograndenews.com.br








