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Agro ainda busca quem apoiar nas urnas para vaga em Brasília

por Alcinópolis News
19 de janeiro de 2022
em Destaque, Política
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Nomes como o do secretário Jaime Verruck foram ventilados, mas representante do setor segue em aberto

 

Nyelder Rodrigues

 

Mais do que apenas o setor primário da economia, o agronegócio representa uma fatia importante das riquezas de Mato Grosso do Sul, expandindo sua atuação para além dos vastos e férteis solos sul-mato-grossenses.

A cadeia do agro é grande e dominante no Estado, entrando também nos setores secundário (indústria, com o beneficiamento de diversos produtos aqui mesmo) e terciário (comércio e prestação de serviços, essencial para que a economia gire em um mundo tão urbanizado e colaborativo como o que temos hoje).

Diante de tamanha importância, o agronegócio também tem atuação na política, muitas vezes ditando caminhos nas cidades mais interioranas – cenário típico de Campo Grande, mas possível de se ver repetir em outros locais do Brasil. Daí, surgem vários candidatos apoiados pelo setor nas urnas, seja qual for a cadeira em disputa.

Em pleitos municipais – prefeito e vereador –, comumente o apoio aparece mais pulverizado, tal como ocorre para deputado estadual, em que cada pretenso parlamentar possui uma base local e conta com o setor produtivo daquele município no qual é referência.

O panorama, porém, começa a mudar quando falamos da corrida por uma vaga em Brasília (DF). Apenas oito conseguem, de quatro em quatro anos, o lugar tão almejado na Câmara dos Deputados, onde além de somar às fileiras partidárias, os eleitos podem defender suas bases de apoio, seja lá qual for.

Faltando pouco mais de oito meses para as eleições deste ano, o agro já se movimenta em busca de candidatos naturais do setor para representá-los na capital federal nos próximos quatro anos.

Alguns nomes já surgem como aspirantes ao posto, mas de uma forma geral, conforme apurado pela reportagem do Correio do Estado, o panorama ainda é de indefinição.

Chefe da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck lançou recentemente seu nome como pré-candidato para representar Mato Grosso do Sul na Câmara de fevereiro de 2023 a janeiro de 2027. Ocupante de cargo estratégico para o agro e com imagem fortemente ligada ao setor, ele naturalmente se posiciona como possível “homem do agro” para as urnas.

Contudo, nem tudo são favas contadas e há muito ainda a se definir. “Estamos verificando as pautas dos pré-candidatos para ver quem apoia o agro e quem tem pautas positivas que melhoram situações para a produção e para o consumidor, afinal, buscamos as duas pontas”, comenta o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Alessandro Coelho, ao ser procurado para comentar o cenário.

Outro que indica o mesmo panorama é o presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Kennides Martins Filho. “Não consigo te responder isso ainda”, frisa o representante ruralista ao ser perguntado sobre quem está no radar do agro daquela região do Estado.

Outros dois presidentes de sindicatos rurais foram procurados pela reportagem e indicaram situação semelhante em suas cidades, mas apontaram que o nome forte para o setor não deve sair da lista comumente já difundidos entre o público em geral.

Para a disputa presidencial, a preferência por Jair Bolsonaro é clara e evidente. Prova disso são as inúmeras peças de outdoor colocadas recentemente nas entradas e nas saídas de cidades do interior.

Já para o Senado, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, angaria amplo apoio do setor do agronegócio. Contudo, ela ainda precisa definir por qual partido vai se candidatar, União Brasil, PL ou PP, pois está cotada nas três siglas, e assim afastar de uma vez por todas as especulações sobre uma possível formação de chapa presidencial com Bolsonaro, sendo ela a vice. Atualmente, Tereza é uma das líderes do DEM, que vai se fundir com o PSL para criar o União Brasil.

Na disputa estadual pelo Executivo, o pré-candidato Eduardo Riedel é o que apresenta mais aptidões para receber tal apoio. Ex-chefe da Pasta de Governo e Gestão Estratégica, hoje o secretário de Obras tem ligação antiga com o agro. Antes de ocupar cargo público, ele presidiu à Famasul, um dos principais órgãos ruralistas.

NA MESMA TRILHA

Com pré-candidatura lançada em programa de rádio da emissora estatal FM 104, Verruck dá os primeiros passos para trilhar caminho semelhante ao de Tereza Cristina, principal líder ruralista não apenas de Mato Grosso do Sul, mas também do Brasil atualmente – não à toa, ocupa o cargo de ministra.

Tereza veio à vida pública a partir da gestão de André Puccinelli no governo, o qual ela ocupou cargo equivalente ao de Verruck, estreitando os laços dela com o agronegócio.

Ao fim dos oito anos daqueles dois mandatos, ela concorreu ao cargo de deputada federal, representando o agronegócio, sendo ali eleita e ganhando, de uma vez por todas, destaque nas pautas relacionadas ao setor na Câmara dos Deputados.

Coincidentemente, hoje Verruck se propõe a disputar a mesma vaga a qual Tereza se lançou “em primeira viagem”, assim como ele, há oito anos.

Além disso, ele é um dos nomes associados ao grupo político encabeçado pela ministra, que conta ainda com nomes como o do deputado estadual Barbosinha.

Durante a entrevista para a Rádio Educativa FM 104, o secretário de Desenvolvimento Econômico e Produção explicou que fará caminhada ao lado de Tereza durante a campanha, que começa com 90 dias antes das eleições, marcadas para 2 de outubro, e entra na reta final em meados de agosto, quando faltarão 45 dias para a população votar.

Agro tem “bala na agulha”

O mar de commodities que viajantes dão de cara ao passar pelas estradas de Mato Grosso do Sul não deixam mentir: o agronegócio é uma potência local e responsável por grande movimentação financeira e influência política. Apenas em 2021, foram R$ 72,3 bilhões de valor bruto de produção agropecuária – R$ 5,9 bilhões a mais que o registrado em 2020

Foto Álvaro Rezende

 

correiodoestado

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