PRF encaminhou dados e nomes à Advocacia-Geral da União e PF
A Polícia Federal (PF) e a Advocacia-Geral da União (AGU) investigam 12 lideranças dos caminhoneiros em Mato Grosso do Sul por insuflar o movimento mesmo após determinação de desobstrução de rodovias. Os nomes, que não foram revelados, foram indicados aos órgãos federais pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Segundo o superintendente regional da PRF, Luiz Alexandre Gomes da Silva, tais lideranças podem ser condenadas a pagamento de multa se confirmadas as infrações. Em liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre Moraes, ele determina multa pelos autores de atos que impediram a circulação normal de veículos nas estradas federais e estaduais.
Conforme informações repassadas em coletiva ontem, durante os dez dias de manifestação no Estado, foram registradas 24 autuações por alguma irregularidade de trânsito, presente no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Nos dias de paralisação, chegou-se ao montante de 75 trechos de manifestação nas rodovias federais.
A PRF informou também que realizou 111 escoltas em Mato Grosso do Sul e teve dois casos de apedrejamento. Um na chegada a Campo Grande e outra em Ponta Porã. Nesta última, o autor foi preso por tentativa de homicídio após tacar pedras no para-brisa de um caminhão.
Além disso, a corporação confirmou que não há mais nenhum bloqueio ou mobilização nas estradas federais do Estado. “Continuamos em atenção. Agora, prosseguimos com a Operação Corpus Christi para dar fluidez ao trânsito seguro e pacífico”, garantiu o superintendente.
Para tanto, foi suspensa a normativa que proíbe a circulação de veículos bitrem com nove eixos nos feriados.
Nas estradas estaduais, a Polícia Militar Rodoviária (PMR) também realizou resgates e escoltas de caminhoneiros que queriam sair do movimento, mas temiam pela própria segurança, e registrou 200 casos por irregularidades no trânsito.
Barrados em bloqueios das estradas estaduais, motoristas tiveram de aguardar a chegada dos policiais militares rodoviários para conseguir seguir viagem. Todas as 35 rodovias estaduais que chegaram a ser bloqueadas ou com ponto de manifestação em MS já estão liberadas e não houve registros de incidentes mais graves.
monitoramento
A coletiva de ontem pela manhã ocorreu no Comando Militar do Oeste (CMO) e, segundo o comandante da corporação, general José Luiz Dias Freitas, o Exército permanecerá monitorando a situação das rodovias até o fim do decreto presidencial, no dia 4 de junho.
“Estamos com a tropa em pontos estratégicos, em condições de atuar caso haja necessidade, embora julguemos que isso não vá acontecer, é possível adiar o final da operação. Mas acredito ser improvável”, garantiu Freitas.
A operação denominada São Cristóvão contou com vários órgãos no Centro Integrado para minimizar os impactos da paralisação dos caminhoneiros ocorrida nos últimos dez dias. O general se viu na difícil missão de driblar o movimento que dificultou a vida da sociedade e quase chegou ao desabastecimento geral.
“Nós fomos solucionando problemas e vimos que, ao longo desses dias, nós tivemos um trabalho altamente produtivo. Percebemos hoje a normalização progressiva dos serviços e o trabalho foi coroado com sucesso”.
Parte dos equipamentos de telecomunicações utilizados no Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) também foi fundamental para o trabalho realizado nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Foram utilizadas, ainda, equipes do CMO para escoltar óleo diesel, querosene de aviação e gasolina, nos dois estados. Corredores de segurança também foram formados. Aqui, há quatro trechos garantidos. São eles: Três Lagos, Campo Grande e Corumbá; Dourados, Campo Grande e Cuiabá; Campo Grande a Chapadão do Sul; e Campo Grande a Porto Murtinho.
Por Gabriela Couto
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