O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aliado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro (PL) e que vem sendo criticado frequentemente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acredita que o atual chefe do Executivo possa ultrapassar o petista nas pesquisas até o final de maio ou início de junho.
Atualmente, há um empate técnico no confronto entre os dois protagonistas da pré-campanha ao Palácio do Planalto, conforme institutos de pesquisa.
Para Lira, Bolsonaro ainda está atrás em razão de comparações acerca da inflação no país atualmente. Contudo, segundo ele, ao longo da campanha a argumentação de que tal problema é causado por efeitos externos será melhor explicada, beneficiando o atual presidente. As declarações de Lira foram dadas ao jornal “Valor Econômico”.
“É uma expectativa que, pelas últimas pesquisas, ele (Bolsonaro) passe no final de maio ou junho. Em fevereiro eram 16 pontos percentuais de diferença entre os dois. Em março eram 10 pontos percentuais e agora, 5. Eleições majoritária é tendência, quando vem ninguém segura”, avaliou Lira.
Segundo ele, porém, o problema econômico é sempre o tema da eleição, mas há outras questões envolvidas que podem fazer diferença. “Entendo que o Brasil ainda é majoritariamente de centro-direita hoje e o Congresso será majoritariamente de centro-direita. E esse Brasil de centro-direita não quer ver o retorno de algumas condições que o candidato Lula representa”, avaliou citando imposto sindical e revogação da reforma trabalhista e da autonomia do Banco Central.
“Eu sempre dizia que não teríamos terceira via forte, como nunca tivemos. O brasileiro que defende radicalmente o Lula e o que defende radicalmente o Bolsonaro já estão posicionados. Mas a grande massa no meio vai escolher o que cada um representa. Daí esse deslocamento de brasileiros moderados de centro em direção ao Bolsonaro. Inevitavelmente é isso que vem fazendo ele crescer nas pesquisas cinco pontos por mês”, avaliou.
Apesar disso, Lira não acredita que Bolsonaro possa passar Lula no Nordeste.
“No Nordeste, o objetivo de quem faz a campanha do presidente é chegar a 30% dos votos. Em Alagoas já está praticamente nisso. Essa diferença pode ser plenamente compensada no resto da federação. Acho que ele cresce em Minas Gerais, já ganha em São Paulo, vai ganhar no Rio, está ganhando no Sul, Centro-Oeste e no Norte”, avaliou.
Para ele, uma virada no Nordeste só seria possível se Lula “continuar cometendo os erros semanais que vem cometendo”. Com informações do Valor.
Lira em discurso na Câmara (Foto: Cleia Viana/Câmara )
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