Escritora Bianca Resende faz campanha colaborativa para publicar sua versão da saga da índia guerreira que parte em uma aventura para combater o mal
Marcos Pierry
Escrito por Bianca Resende, “A Guerreira Potira” é uma aventura protagonizada por mulheres dentro e fora das páginas do livro, que a autora pretende lançar no primeiro semestre de 2022.
As contribuições para a campanha de financiamento coletivo da obra, que conta com ilustrações de Marina Torrecilha e revisão de Linda Terena, seguem até o dia 3 de janeiro pela plataforma virtual colaborativa Benfeitoria (benfeitoria.com/a-guerreira-potira-rwr).
Produzido de forma independente em Campo Grande, o livro é dedicado ao público infantojuvenil e traz como heroína a conhecida guerreira indígena da tradição oral brasileira; desta vez, em uma narrativa original criada por Bianca.
No enredo, a índia valente se arrisca em uma aventura que tem como cenário o Cerrado sul-mato-grossense, onde é acompanhada por seres da mata para salvar a natureza.
Bianca é formada em Letras pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e está bem acompanhada, na vida real, por suas parceiras de aventura editorial. Marina Torrecilha é ceramista e formada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Linda Terena, professora e historiadora, cursa atualmente doutorado em Antropologia e faz parte de uma das etnias indígenas do Estado.
VERSÃO ALTERNATIVA
“O livro tem uma história bastante enigmática, cheia de aventura e de ilustrações bonitas e mágicas.”
“Pensei essa versão alternativa para a lenda oral da Potira querendo dar a possibilidade de uma leitura prazerosa, mas que também respeite os povos originários.”
“Quero dar às crianças e aos jovens a perspectiva que não tive quando criança”, afirma Bianca, ao enfatizar sua proposta de possibilitar novas perspectivas com o trabalho.
Potira e os demais personagens da obra pertencem ao folclore brasileiro. Todos estão catalogados, por exemplo, no livro “Compêndio Seres da Mata – Um Olhar Informal sobre o Folclore Brasileiro”, de Hélio Guedes.
Na trama, a índia Potira, famosa nas contações de história que narram a exploração de diamantes nas lavras do Centro-Oeste, passa a chorar lágrimas do valioso cristal depois de ficar sem o seu grande amor, Itagibá, que fora derrotado em uma batalha.
Bianca Resende, porém, fabula uma versão com desfecho diferente, em que Potira se depara com a derrubada de castanheiras e embarca em uma saga para impedir o desmatamento.
Nessa aventura, ela ganha a companhia de seres mágicos. Mbae, Mbuá, Guayi e Kaluanã guiam e protegem a heroína, sem deixar de aprender também importantes lições com ela.
Nessa primeira parte, todos serão confrontados pelo poder das escolhas não egoístas e vão entender que a agonia da mata é um sofrimento maior e urgente.
SONHO
“Realizar o sonho de uma publicação é uma experiência de morte e vida, porque morre uma expectativa, a de publicar, e nasce outra, a de as pessoas abraçarem sua narrativa.”
“Eu tenho uma ansiedade em relação a isso, mas é das boas: aquela de quando a gente consegue algo que quer muito, sabe?”, comenta Bianca Resende.
Além da prosa da autora, “A Guerreira Potira” apresenta 18 ilustrações originais assinadas por Marina Torrecilha.
Do mesmo modo que a narrativa escrita, os desenhos foram elaborados nos últimos dois anos a partir de pesquisas sobre a fauna e a flora brasileiras e a cultura de diferentes povos indígenas.
“Ilustrar Potira foi como produzir um acervo cheio de pesquisas que alinham diversas informações em uma obra original brasileira.”
“Como ilustradora, meu foco era passar a sensação de que o leitor pudesse se sentir incorporado com os personagens na mata, focando no Cerrado, região com a qual sou familiarizada, pois é onde nasci e vivo”, explica a ilustradora.
“As crianças têm o direito de conhecer, de respeitar e de valorizar culturas tão ricas e ao mesmo tempo mal retratadas no Brasil e no mundo.”
“Não é justo para nós não conhecer e não ter orgulho de uma sociedade forte que se estabeleceu e prosperou até ser injustamente colonizada”, reforça Marina.
“Nossa visão é a de mudar isso e trazer o lúdico, por meio de estudos e de compromisso com as diversas etnias, para a sociedade, e a melhor forma que encontramos é por meio do livro e das escolas”, completa.
À ESCOLA COM CARINHO
A presença de uma mulher indígena como protagonista no enredo contribui, naturalmente, para a valorização da cultura dos povos originários, e inspirou desdobramentos.
Bianca e sua trupe firmaram uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação da Capital para que parte da verba arrecadada com a venda dos livros pela campanha colaborativa seja destinada à Escola Municipal Sulivan Silvestre Oliveira – Tumune Kalivono.
A instituição está localizada na Aldeia Urbana Marçal de Souza, no Bairro Tiradentes, uma das primeiras do País.
E mais: a ideia é que os recursos possam viabilizar a realização da Feira Indígena Cultural, que é organizada anualmente pela escola, na qual mais de 20% dos estudantes são indígenas ou descendentes, principalmente da etnia Terena.
Além disso, a instituição também vai receber exemplares de “A Guerreira Potira”, a serem lidos livremente pelos alunos ou trabalhados pedagogicamente em atividades escolares.
DOAÇÃO E BRINDES
Ao apoiar a campanha, os doadores garantem brindes exclusivos, que incluem o livro (em versão digital ou física), marcadores de páginas, pôsteres, cartões-postais, entre outros.
A campanha tem três metas: na primeira, ao atingir R$ 14 mil, 500 exemplares serão impressos e 5% do valor de cada livro vendido será destinado ao projeto da escola.
Já na segunda, ao arrecadar R$ 17 mil, a equipe conseguirá imprimir 1.000 unidades e 5% do valor será doado. Por fim, caso seja “batida” a última meta, de R$ 25 mil, 2.000 exemplares serão impressos e 10% do valor será doado.
TRILOGIA
Caso os valores sejam superiores aos arrecadados na campanha, a equipe vai investir na continuação da história de Potira, que poderá ganhar uma trilogia.
Para doações, basta acessar o link da plataforma Benfeitoria. Para mais informações sobre o projeto, busque nas redes sociais: @aguerreirapotira.
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