A Universidade mais antiga do mundo não fica na Itália nem na Inglaterra, mas sim na cidade de Fez, na região centro-oeste do Marrocos. Fundada no ano de 859, a Universidade de Al-Qarawiyyin é tão antiga que sua inauguração se deu apenas dois séculos após a criação do Islamismo por Maomé, e ainda cerca de 150 anos antes da fundação da Universidade de Bolonha e de Oxford.Tais dados já seriam extraordinários, mas se somam a um detalhe nada mero: criada como uma casa de estudos islâmicos, a mais antiga universidade do mundo foi fundada por Fátima Alfiri, uma mulher árabe e muçulmana.
A mulher por trás da universidade mais antiga do mundo
Nascida na Tunísia por volta do ano 800, Fátima binte Maomé Alfiria Coraixita mudou-se para Fez, então uma metrópole pungente e em crescimento, por conta do trabalho do pai, um comerciante que se tornaria rico no Marrocos.
Após perder em pouco tempo o pai e o marido, e receber uma volumosa herança, ela e a irmã Myriam, que tinham recebido a melhor educação da época, decidiram retribuir à comunidade, construindo a Mesquita dos Andalusinos e a Universidade de Al-Qarawiyyin.
A história da universidade mais antiga do mundo
Reconhecida pela UNESCO e pelo Guinness Book, o Livro dos Recordes, como a instituição de ensino em atividade mais antiga do mundo e a primeira a conceder diplomas, a universidade foi fundada como mesquita e madraça, escola dedicada ao estudos do islamismo, para se tornar um dos mais importantes centros espirituais muçulmanos.
Os estudos no local se concentram principalmente em ensino religioso, memorização do Alcorão, mas incluem linguística e caligrafia árabe, legislação islâmica, política, matemática, química, medicina, astronomia, ciências naturais, música e sufismo.
Prédio utilizado para estudos das leis e jurisprudências islâmicas na universidade
Aulas de inglês e francês também são oferecidos, bem como estudos fora da tradição islâmica para alunos não muçulmanos. A veracidade da história de Fátima e Myriam propriamente é hoje questionada por alguns historiadores, que sugerem que possivelmente as duas personagens são mais lendárias do que propriamente reais – mas a universidade ainda funciona plenamente, recebendo alunos principalmente do Marrocos e da África muçulmana.
De todo modo, em uma terrível ironia, as mulheres só passaram a poder estudar em um local fundado por duas representantes do sexo feminino nos anos 1940.

Documento do ano de 1207 considerado o mais antigo diploma de medicina do mundo
Os milenares telhados verdes da universidade são emblemáticos no cenário da cidade marroquina








