Derrotas importantes na Casa mais tradicional do parlamento brasileiro fizeram com que a equipe do presidente traçasse tal plano
NYELDER RODRIGUES
Três anos de governo sendo alvo de diversas contestações da oposição nas Casas Legislativas ensinaram ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e toda à sua equipe que quem não tem o parlamento consigo não vai a lugar nenhum e fica a ver navios na política – não só brasileira, mas de todos os países com regime democrático.
Inicialmente adotando tons de paladinagem em seus discursos carregados de conceitos éticos e morais, Bolsonaro logo percebeu que precisaria abraçar determinadas situações – e isso só descobriu no cargo, mesmo que décadas tenha sido deputado e do mesmo grupo que agora abraça.
O Centrão entrou na vida de Jair no governo como um empolgante baile às escuras, em que o importante era dançar, seja lá com quem fosse.
E o presidente dançou, e ainda dança, ao ritmo que a política tradicional dita, acabando de vez com o conceito de nova política outrora tão vociferado.
Enquanto que na numerosa Câmara Federal o trabalho do presidente até que foi articulado com um êxito considerável, sem tantos tropeços como se podia imaginar, na Casa parlamentar mais tradicional de Brasília (DF) o presidente da República teve trabalho além do que imaginava.
Foi lá, no Senado, que ele teve de assistir na televisão, diariamente, acusações diversas contra sua gestão na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, ou CPI da Covid-19, como alguns preferem chamar a investigação parlamentar – conclusa, mas ainda parada nas mãos do procurador-geral da República, Augusto Aras, indicado para o cargo por Bolsonaro.
Assim sendo, o ano de 2022 se tornou essencial para Bolsonaro. Obviamente, é o ano em que ele vai concorrer à reeleição como presidente do Brasil.
Apenas isso já tem sua devida importância. Mas se fortalecer no Senado, por meio das eleições, é outra situação que os holofotes eleitorais devem se voltar em breve.
TEREZA CRISTINA
Braço direito de Bolsonaro e interlocutora do governo com sua base ruralista, a campo-grandense Tereza Cristina, ministra da Agricultura e em breve também presidente do Partido Progressista (PP), conforme já anunciado por ela própria, é o nome que encabeça os planos de Bolsonaro em Mato Grosso do Sul.
Atualmente deputada federal licenciada, Tereza deve ser a principal puxadora de votos de Jair no Estado, mesmo não ocupando nenhum posto de candidata ao Executivo, em tese, o cargo mais importante em jogo nesse pleito.
Cogitada para ser vice na chapa do atual chefe, Tereza Cristina preferiu mesmo é seguir na disputa em Mato Grosso do Sul, tudo com o aval de Bolsonaro, que está bastante interessado em fortalecer as bases de apoio parlamentar, principalmente no Senado.
Assim, a lógica é contrariada e um dos principais nomes do governo atual em vez de brigar pela caneta do governo, vai mesmo é abrir o leque de Bolsonaro regionalmente. Explica-se assim:
Se Lula vem se desenhando com apenas um palanque para subir no primeiro turno – por ora, o palanque de Zeca do PT é o único aberto a ele –, Bolsonaro almeja vários outros.
O palco de André Puccinelli (MDB), pretenso candidato ao governo, é um deles, enquanto que a campanha de Eduardo Riedel (PSDB) é outro palanque. Tudo isso mesmo com as nacionais dos partidos de ambos projetando ter em outubro candidatos próprios, dentro da chamada terceira via.
O deputado federal Trutis e o estadual Capitão Contar são outros que podem surgir nesse cenário, mas nenhum dos citados está à frente de Tereza em termos de importância – inclusive, a ela foi designada a chefia do chamado, pelo próprio Bolsonaro, “projeto MS”, conforme revelou em entrevista recente à Grande FM, de Dourados.
PELO BRASIL
Obviamente, a tendência adotada pelo grupo de Bolsonaro se estende para outros estados – quiçá não sejam todas as unidades da federação.
No Estado de São Paulo, por exemplo, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, foi lançado para a disputa pelo governo local. Ainda em período de pré-candidatura, os rumores de um recuo dele são grandes, sendo então o posto de senador adotado pelo bolsonarista.
Outra opção do atual presidente para a tradicional Casa no mesmo estado seria o popular apresentador de televisão José Luiz Datena.
Com uma máquina em mãos chamada “Brasil Urgente”, nome do programa que apresenta diariamente durante o fim de tarde e começo de noite na Rede Bandeirantes, Datena vem ensaiando uma aproximação da política há vários anos, inclusive, sendo alçado ao posto de possível candidato à Presidência.
No Rio Grande do Sul, outro eixo importante e histórico da política nacional, o candidato bolsonarista ao Senado deve ser o seu atual vice, o general da reserva do Exército Antônio Hamilton Martins Mourão, ou General Mourão. Ele deve se filiar ao Republicanos no dia 16 e ali disputar a vaga gaúcha.
Após eleitos, seja de onde for, o voto do senador vale o mesmo. Assim, seja amapaense ou sul-mato-grossense, seja gaúcho, o importante para Jair é que seja bolsonarista.
Bolsonaro, em 2020, quando recebeu no Palácio do Planalto – sede do governo federal – a visita de vários senadores da República – Marcos Correa
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