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Campanha de Haddad pagou a empresário de MS investigado em Lava-Jato

por Alcinópolis News
1 de outubro de 2018
em Destaque, Política
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Campanha de Haddad pagou a empresário de MS investigado em Lava-Jato

Giovane Favieri recebeu R$ 2,1 milhões de petistas, diz jornal

 

A campanha do presidenciável petista Fernando Haddad pagou R$ 2,1 milhões a envolvidos na Lava Jato e em esquema de corrução da Odebrecht. Um dos contemplados é o empresário Giovane Favieri, ex-sócio da VBC e da NDEC, empresas que atuavam na área de mídia e publicidade em Mato Grosso do Sul. O caso foi revelado pelo jornal ‘O Estado de S. Paulo’.

O valor foi pago à empresa Rental Locação de Móveis, que tem  como sócios Giovane Favieri e e Valdemir Garreta como sócios, a título de locação de equipamentos para programas de TV e rádio.

Favieri é réu por lavagem de dinheiro na operação Lava Jato e Valdemir Garreta é colaborador no Peru em investigação de caixa 2 da Odebrecht.

De acordo com a acusação, em 2004, o Banco Schahin firmou um contrato fraudulento de empréstimo de R$ 12 milhões com o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula.

Na realidade, segundo os procuradores da Lava Jato, o dinheiro se destinava ao PT e teria sido pago de modo fraudulento depois que uma das empresas do Grupo Schain fechou um contrato de R$ 1,6 bilhão com a Petrobras.

A operação teria sido realizada para dissimular e ocultar pagamentos do PT, entre os quais às empresas de Favieri por serviços na eleição de 2004, em Campinas.

O empresário diz no processo que não sabia da origem ilícita dos recursos. Para os procuradores, sua atuação no esquema de lavagem de capitais ocorreu de modo consciente e voluntário.

Já Garreta, em colaboração com autoridades peruanas, contou a procuradores que a Odebrecht lhe pagou US$ 2 milhões (R$ 6,5 milhões) a pedido Félix Moreno, governador da região peruna de Callao, para  para assessorá-lo em campanha de reeleição.

Favieri já prestou serviços a Haddad em 2016 por meio da F5BI produções Ltda. Em junho do ano passado,  a empresa recorreu à Justiça para tentar obter o pagamento de dívida do PT de R$ 2,66 milhões e solicitou, inclusive, a apreensão de bens dos devedores.

OUTRO LADO

Giovane Favieri afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo ser inocente da acusação na Lava Jato. “Não tínhamos como identificar de onde vinha o dinheiro. Naquele tempo, caiu na conta da empresa, tudo certo, houve prestação de contas. Não aparecia depositado por fulano, como aparece hoje”, disse ao jornal.

A afirmação é a mesma que ele fez no processo. Já Garreta não se manifestou.

Procurada pela reportagem, a campanha de Haddad não se manifestou.

HISTÓRICO

Em outubro de 2016, Giovani Favieri e o publicitário Armando Peralta receberam R$ 3,4 milhões do esquema envolvendo empréstimo de R$ 12 milhões contraído pelo pecuarista José Carlos Bumlai com o Banco Schahin para pagamento de dívidas do PT.

Inicialmente, Bumlai transferiu o dinheiro para empresas de Natalino Bertin, dono do frigorífico Bertin, que distribuiu a empresas de terceiros. Entre eles, o Núcleo de Desenvolvimento de Comunicação (NDEC), que pertence aos Giovane e Armando, também réus, recebeu R$ 3,4 milhões.

Outros R$ 500 mil foram pagos à Omny Par Empreendimentos, credora dos publicitários. A King Graf, que prestou serviços ao PT, recebeu R$ 95 mil e outros R$ 150 mil foram encaminhados para o pagamento de honorários do advogado de Laerte Arruda Correa Júnior, empresário relacionado a Delúbio Soares detido na operação Vampiro.

O juiz Sérgio Morou recebeu a denúncia feita pela força-tarefa da Lava Jato contra o ex-prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio, por lavagem de dinheiro. Além de Dr. Hélio, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e outros quatro envolvidos também se tornaram réus.

O Dr. Hélio é corumbaense como Bumlai e foi duramente criticado por montar o secretariado com amigos da sua cidade e de Campo Grande. Armando e Geovani são, também, de Mato Grosso do Sul onde cresceram com produtora nas campanhas eleitorais.

O processo investiga um empréstimo de R$ 12 milhões tomados pelo pecuarista José Carlos Bumlai em 2004 com o Banco Schahin. De acordo com as investigações, o real destino desse valor, no entanto, seria o pagamento de dívidas do PT. O empréstimo teria sido quitado com a contratação do Grupo Schahin, pela Petrobras, para operar o navio-sonda Vitória 10000, um contrato de R$ 1,6 bilhão.

Dos R$ 12 milhões, o Ministério Público Federal afirma que R$ 4,15 milhões foram destinados para a campanha de Dr. Hélio à Prefeitura de Campinas, em 2004. Segundo os procuradores da força-tarefa, Bumlai, o presidente do banco Sandro Tordin, e os publicitários Giovani Favieri e Armando Peralta participaram da negociação para o empréstimo, com apoio de Delúbio Soares. A transferência teria sido feita, afirma o MPF, por meio do crime de gestão fraudulenta de instituição financeira e configurariam crimes de lavagem de dinheiro.

A outra parte do empréstimo teria tido como destino o empresário do ABC, Ronan Maria Pinto, que já responde a processo na Lava Jato, atualmente na fase de alegações finais. O pagamento do empréstimo por meio do contrato entre Schahin e Petrobras já foi alvo de processo na Lava Jato e levou à condenação de José Carlos Bumlai a uma pena de nove anos e 10 meses pelos crimes de corrupção passiva e gestão fraudulenta de instituição financeira.

Antes, em abril daquele ano, Favieri e Peralta entraram na mira da 27ª fase da Lava Jato, a Carbono 14, deflagrada ontem (1º), pelos procuradores da força-tarefa que investigam o empréstimo de R$ 12 milhões feito pelo pecuarista José Carlos Bumlai, no banco Schahin, em 2004, para beneficiar o PT. A dupla teria movimentado R$ 6 milhões deste empréstimo.

Em julho de 2017, Favieri chegou a acusar o diretório municipal do PT e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad de terem dado um calote de R$ 2,66 milhões em sua empresa.

 

Por RAFAEL RIBEIRO (com agências)

 

correiodoestado.com.br

 

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