O pioneiro Christóvam Krug comemorou 90 anos e 67 anos de casamento com Gessy Neckel Krug neste final de semana, em Chapadão do Sul. A festa foi realizada no Sindicato Rural com as presenças de familiares e amigos. Há 54 anos (1969) mudou-se para o Mato Grosso com a família, os quatro filhos (Eloá, João Carlos, José Claudio, Júlio César) e a esposa Gessy e os irmãos João Krug e Augusto Krug. Foi uma das primeiras famílias a se estabelecerem na região. Esta epopeia já foi contada em vídeo com as narrativas das dificuldades encontradas no início. Esta história que mistura aventura e coragem tem vários capítulos que podem ser encontrados no livro “Os Pioneiros”, escrito pela professora Ana Maria Laurindo Lorenzon.

Chegaram a morar sob uma lona estendida entre árvores. Aé mesmo a Assembleia Legislativa de MS reconheceu a saga de Christóvam Krug com o título de “Cidadão Sul-Mato-Grossense”. A homenagem a Christóvam Krug vai muito além do aniversário. Foi protagonista na agricultura do povoado que seria elevado à condição de “Capital Agrícola de MS” com a primeira colheita mecanizada de arroz, na década de 70.
Christovam e seu irmão João Krug saíram de Erebango (RS) para conhecer a região, na época denominada Pouso Frio, acompanhados por Pio Sponchiado. Em 1969 compraram a fazenda Gávea e Pouso Frio de propriedade do Uruguaio, Luiz Arbiza, e retornaram ao Rio Grande do Sul para buscar o restante da família. Em agosto de 1969, num caminhão FNM chegaram à fazenda Gávea. Com eles vieram os filhos João Carlos, José Carlos, deixando para trás Eloá Krug para completar os estudos. Ainda tiveram Júlio Cesar Krug e Eliane Cristina Krug Loeff que nasceu na Fazenda Gávea em 1972, em Chapadão do Sul

.Foto de 1971 Gessy Neckel Krug / Júlio Cesar / Christóvam / Jorão Carlos Krug
As margens do Rio Aporé ergueram uma barraca de lona e ficaram cerca de 90 dias. A casa de madeira (pau a pique) finalmente ficou pronta, coberta de palha de bacuri e outra parte de tábuas. As primeiras lavouras dos Krug foram de Mandioca e Arroz. Para a surpresa dos mato-grossenses (estado era o MT) a mandioca teve uma grande produção. Já o arroz foi uma colheita pequena. Quem gostou foram os papagaios que comeram quase a metade.

No caminhão FNM que trouxe a família vieram dois tourinhos, uma novilha, vários cachorros, um trator Ford 8 BR, implementos, uma carroça, móveis e utensílios. Em novembro de 1969 chegou o irmão mais novo, Augusto Krug Neto com esposa Mercedez, a filha Jaqueline e o primo Ivan Jadeu Vargas. Em 1970 os irmãos fizeram um financiamento no banco do Brasil. Os pastos eram nativos do cerrado com baixo valor nutricional. Já não dava mais para vender as terras e voltar para o RS porque tinham negociado as propriedades no Sul e as terras de pouso Frio valiam muito pouco. As economias iam acabando e teve até um amigo de Cassilândia que ofereceu o custeio da passagem de volta, caso quisessem.
Christóvam Krug teve sucesso no plantio de arroz porque já dominava o tratamento de sementes e adubo químico, técnicas que os vizinhos desconheciam. Durante o preparo do solo para a próxima safra o filho (João Carlos Krug) caiu do trator e o veículo passou sobre a perna direita, quebrando em três partes. Mãe e filho ficaram cerca de 45 dias no Hospital São Lucas em Cassilândia durante a recuperação.
Naquela época os produtos agrícolas (gado em geral) eram bem mais caros que nos dias atuais. Criavam porcos e muitas galinhas cujos pintinhos também se alimentavam nos cupinzeiros, abundantes na época. A caça era farta de veados, capivaras e porcos do mato que garantiam a alimentação. As grandes distâncias causaram novo afastamento dois pais que mandaram João Carlos e José Cláudio de volta ao Rio Grande do Sul para estudarem. Eloá continuava por lá frequentando a escola. Esta história que mistura aventura e coragem tem vários capítulos que podem ser encontrados no livro “Os Pioneiros”, escrito pela professora Ana Maria Laurindo Lorenzon. (Fotos da festa Adejair Morais / ocorreionews.com.br)












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