Partido poderá abrigar bolsonaristas do Estado, que ainda preferem esperar para definir filiação; João Henrique Catan já até insinua candidatura ao governo
Graziella Almeida
Faltando 11 dias para a filiação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao Partido Liberal (PL), a diretoria estadual da legenda começa a se movimentar e já abre suas portas para receber o time bolsonarista: os parlamentares com mandato que sempre repetem que seguirão o presidente aonde ele for.
O partido já planeja até voos mais altos, como o lançamento do deputado estadual João Henrique Catan ao governo do Estado.
O anúncio da filiação de Bolsonaro ao PL no dia 22 (número do partido), em vez de trazer a certeza de que a legenda ganharia um grande reforço em todos os estados brasileiros, está fazendo muitos aliados do presidente pensar.
Os bolsonaristas pretendem analisar com muita calma o cenário político regional antes de tomar uma decisão.
De acordo com o presidente estadual do PL, Filinto Gomes Abreu, os filiados esperam pelas definições na executiva nacional, e a vinda de Bolsonaro para a sigla traz boas expectativas para o crescimento do partido em Mato Grosso do Sul.
“A vinda do presidente já era aguardada, o momento agora pede calma e cautela para que tudo seja definido na executiva nacional e que o processo dê certo”, disse.
Questionado sobre como o partido vai lidar com a vinda de novos filiados, o líder do PL em Mato Grosso do Sul afirmou que ainda não sabe como ficarão as tratativas e que a sigla está com as portas abertas.
“Ainda tratamos a vinda de outros membros ao PL, mas somos abertos e estamos à disposição para recebê-los. No caso, os nomes que mais são questionados sobre o rumo que seguirão em 2022 são o da ministra de Agricultura, Tereza Cristina [deputada federal pelo DEM], o Capitão Contar [PSL] e o Coronel David [sem partido]”, pontou.
22 ou 38?
Prata da casa, João Henrique Catan (PL) avalia a decisão do presidente e diz que o partido está apto para receber colegas de bancada, inclusive, fez uma comparação sobre a eficiência de duas armas bem conhecidas dos brasileiros, algo que o time bolsonarista, ligado ao grupo armamentista, conhece bem.
“A expectativa pela chegada do presidente Bolsonaro ao PL é a melhor possível. Vamos provar que o 22 do PL também tem um tiro certeiro, às vezes até melhor do que um 38 [Aliança]: o recuo é menor e a precisão é maior”, disse Catan.
“Nós receberemos o presidente com muita satisfação, porque estamos alinhados com o projeto, acreditamos em muitas bandeiras da luta diária que tem sido travada por ele. Defendemos isso em 2018, 2020 e agora será em 2022”, pontuou Catan, que ainda insinuou que pode se candidatar ao governo de Mato Grosso do Sul.
“Aqueles que tiveram e tiverem compromisso com os valores, os ideais, as ideias e o objetivo do projeto nacional do presidente serão bem-vindos”, finalizou Catan.
SONDAGEM
Aliados do presidente no Estado, Coronel David (sem partido), Capitão Contar (PSL), Luiz Ovando (PSL), Loester Trutis (PSL), entre outros, afirmaram em entrevistas anteriores que seguiriam Bolsonaro em qualquer sigla.
No entanto, a conversa mudou de rumo e, até o momento, os mesmos seguem fazendo análise de todo o cenário e aguardam para ver se a aposta de ir para o PL é realmente segura.
Capitão Contar destacou que aguarda mais informações e que vai fazer uma análise do cenário. “Aguardo a confirmação oficial dessa filiação, de modo a traçar os próximos passos, que sem dúvidas serão seguir nosso presidente”, falou.
Coronel David segue o mesmo rumo, mas diz que, independentemente se a escolha de Bolsonaro for uma e a dele outra, continuará sendo um eterno seguidor do presidente.
“Vou aguardar o posicionamento oficial do presidente, se ele [Bolsonaro] realmente for para o PL, eu vou começar a tratar do meu destino partidário também. É quase certo que se o presidente for para o PL o vice deve ser do PP”, disse David.
“Não sei dizer qual será a minha escolha, ainda é algo muito prematuro para ser tratado. É importante antes consolidar essa aliança. Mas sigo firme na ideia de que entrarei na sigla que o presidente considerar importante para o seu projeto de reeleição”, complementou David.
“Não tenho apostas em plano B. O nosso plano A é a reeleição do presidente. Portanto, continuo, como sempre estive, engajado no apoio ao presidente Bolsonaro”, concluiu David.
AMBOS DO PL. Presidente Jair Bolsonaro e o deputado João Henrique Catan, futuros colegas de partido – Gerson Oliveira
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