Veículos elétricos e híbridos seguem ganhando espaço no mercado brasileiro. No primeiro semestre do ano, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), os emplacamentos de eletrificados somaram 244.942 unidades, consolidando o avanço da tecnologia.
Para especialistas e representantes do setor, a mudança é impulsionada pelos incentivos fiscais criados pelo governo federal e governos estaduais e do DF, mas também por uma mudança no mercado consumidor, que busca tecnologias mais sustentáveis e menos dependentes do petróleo, em meio à instabilidade mundial nos combustíveis.
Em Mato Grosso do Sul o Projeto de Lei proposto pelo 1º secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado estadual Paulo Corrêa (PL), prevê isenção de até 100% no IPVA para veículos elétricos e redução do imposto para veículos híbridos.
A proposta estabelece isenção total do IPVA para veículos 100% elétricos. Já os híbridos plug-in, que podem ser recarregados na tomada, terão redução de 90% no imposto, enquanto os híbridos convencionais e híbridos flex contarão com desconto de 70%.
Segundo o parlamentar, a iniciativa busca alinhar a política fiscal às ações de proteção ambiental e à transição energética. “Precisamos criar mecanismos que incentivem tecnologias mais limpas e sustentáveis. Esse projeto é um passo importante para reduzir as emissões e preparar Mato Grosso do Sul para o futuro”, afirmou Paulo Corrêa.
O Projeto de Lei ainda está em tramitação na ALEMS e aguarda análise da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Casa de Leis para ser votado em plenário.
Confira as regras para isenção do IPVA em cada Estado e no DF:
Sul
- Rio Grande do Sul: isenção total para os 100% elétricos; híbridos pagam 3%, a mesma alíquota dos carros a combustão
- Paraná: não isenta por tipo de motorização, mas reduziu a alíquota geral de 3,5% para 1,9%, válida para todos os automóveis e caminhonetes, incluindo elétricos e híbridos
- Santa Catarina: sem incentivo específico; elétricos e híbridos pagam a alíquota padrão de 2%, como os demais carros
Sudeste
- São Paulo: veículos 100% elétricos pagam alíquota de 4%. Há isenção para veículos movidos a hidrogênio e para híbridos a etanol que atendam a requisitos como motor elétrico de no mínimo 40 kW, bateria de 150 V e valor venal de até R$ 261.154,45. 2026 é o último ano de isenção integral, com retomada gradual da cobrança a partir de 2027
- Rio de Janeiro: elétricos pagam 0,5% e híbridos, 1,5%, ante 4% dos carros a combustão
- Minas Gerais: isenção apenas para elétricos ou híbridos fabricados no próprio estado. Fora dessa condição, vale a alíquota de 4% aplicada aos carros de passeio
- Espírito Santo: veículos de passeio, incluindo elétricos e híbridos, pagam a alíquota padrão de 2%, sem benefício específico de IPVA para eletrificados
Nordeste
- Bahia: isenção para os 100% elétricos de até R$ 300 mil; híbridos pagam 2,5%, a mesma alíquota dos carros a combustão
- Pernambuco: isenção para os elétricos; híbridos pagam a alíquota padrão de 2,4%
- Paraíba: isenção para os elétricos; híbridos pagam 2,5%, como os demais carros
- Rio Grande do Norte: isenção para os elétricos; os carros a combustão pagam 3%
- Maranhão: isenção para os 100% elétricos adquiridos em concessionárias do estado; híbridos pagam a alíquota padrão de 2,5%, sem benefício específico
- Ceará: elétricos têm isenção ou taxa de 1,5%. Híbridos pagam 2%. Veículos a combustão têm alíquota de até 3,5%
- Piauí: alíquota de 1% para os elétricos, ante 2,5% a 3% dos carros a combustão
- Alagoas: progressivo: isenção no 1º ano; 0,5% e 0,75% no 2º; 1% e 1,5% a partir do 3º; taxa padrão varia por categoria
Centro-Oeste
- Distrito Federal: isenção para elétricos e híbridos adquiridos em concessionárias do próprio DF. Fora dessa condição, a alíquota é de 3,5%
Norte
- Acre: isenção para elétricos e híbridos; a alíquota padrão dos carros é de 2%
- Amazonas: elétricos e híbridos pagam 1,5%; carros a combustão acima de 1.000 cilindradas pagam 2%, com redução geral de 50% no IPVA em 2026
- Pará: isenção para os 100% elétricos de até R$ 150 mil; acima desse valor, e para os demais carros, a alíquota é de 2,5%
- Tocantins: isenção para elétricos e híbridos comprados em concessionárias locais no primeiro licenciamento, até 31 de dezembro de 2026; a alíquota padrão é de 2%
- Amapá: isenção total para elétricos e híbridos adquiridos até 31 de dezembro de 2026 (Lei 3152/2024). Os demais veículos pagam alíquota padrão de 3%
Híbridos lideram mercado
Os híbridos continuam liderando o mercado. No acumulado do semestre, foram comercializadas 154.472 unidades, crescimento de 85,07% em relação às 83.468 registradas no mesmo período de 2025. Somente em junho, o segmento alcançou 33.374 emplacamentos, alta de 8,94% na comparação com maio e de 116,55% ante o mesmo mês do ano passado.
– “Os carros híbridos têm tido uma aceitação expressiva no mercado nacional e representam o maior volume entre os eletrificados”, afirmou o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior.
Os totalmente elétricos também ampliaram, significativamente, sua participação. Entre janeiro e junho, foram vendidos 90.470 modelos, um crescimento de 196,29% em relação às 30.534 unidades comercializadas no primeiro semestre de 2025.
Em junho, o segmento apresentou estabilidade em relação a maio, com leve alta de 0,84%, mas registrou avanço de 258,18% na comparação com junho do ano anterior. No acumulado do semestre, os híbridos responderam por 63% dos emplacamentos de veículos eletrificados, enquanto os modelos totalmente elétricos ficaram com os 37% restantes.
Incentivos
Para o economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques, o crescimento das vendas está diretamente ligado aos incentivos tributários concedidos pelo governo federal, governos estaduais e do Distrito Federal, para estimular a aquisição de veículos menos poluentes.
Segundo ele, a redução da carga tributária tornou esses modelos mais competitivos para o consumidor, ao mesmo tempo em que aumentou a presença de fabricantes estrangeiras no mercado brasileiro.
– “Com isso, têm surgido algumas discussões com a indústria automobilística brasileira, porque muitos desses carros vêm de fora — são importados, são carros chineses. E isso tem aumentado bastante a venda desses carros híbridos e elétricos para os consumidores brasileiros”, explica.
Para o diretor do Conselho da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) Clemente Gauer, o avanço dos veículos eletrificados reflete o aumento da competitividade no setor e amplia as alternativas disponíveis para o consumidor brasileiro.
Segundo ele, o cenário ganha ainda mais relevância em um momento de alta dos combustíveis e de instabilidade no mercado internacional de petróleo.
– “O consumidor brasileiro deve ter acesso a todas as tecnologias disponíveis, especialmente em um momento de aumento dos preços dos combustíveis, incertezas geopolíticas no abastecimento e recorrentes episódios relacionados à qualidade e à adulteração de combustíveis, que elevam os custos de manutenção e pesam no orçamento das famílias e das empresas”, afirma.
Segundo Gauer, além dos benefícios ambientais, a expansão da mobilidade elétrica também pode impulsionar a economia nacional.
Ele cita um estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT Brasil), segundo o qual a transição para veículos eletrificados pode elevar em até 116% o número de empregos no setor automotivo, estimulando áreas como infraestrutura de recarga, geração de energia e serviços especializados.
O representante da ABVE destaca ainda que os ganhos também chegam diretamente ao consumidor.
– “Os veículos elétricos podem reduzir em até 80% o custo por quilômetro rodado e permitem que o abastecimento seja feito com a eletricidade predominantemente renovável produzida no Brasil ou até mesmo com energia solar gerada na própria residência”, ressalta.
O professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) Luciano Duque avalia que, para a maior parte dos motoristas brasileiros, os veículos elétricos já representam uma alternativa economicamente vantajosa.
Segundo ele, quem utiliza o carro principalmente em trajetos urbanos e dispõe de carregamento residencial consegue compensar rapidamente a diferença de preço por meio da economia com combustível e manutenção.
Além disso, Duque destaca que as condições climáticas do Brasil favorecem esse tipo de tecnologia, já que o calor registrado no país causa menos impacto às baterias do que o frio intenso observado em diversos mercados europeus.







