O CORREIO NEWS
Chapadão do Sul mais uma vez corre o risco de chegar às urnas dividido e, consequentemente, terminar a eleição sem um representante próprio na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
Até o momento, cinco nomes do município aparecem como candidatos a deputado estadual: Ricardo Bannak (MDB), Vanderson Cardoso (Republicanos), Clarineu Nogueira (PT), Defensor Ernany (PL) e Richard Silva (Novo).
À primeira vista, ter vários candidatos pode parecer sinal de força política. Mas, na prática, a realidade pode ser exatamente o contrário. Com os votos do município pulverizados entre cinco candidaturas, as chances de que qualquer um deles consiga alcançar uma votação suficiente para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa ficam consideravelmente menores.
E esse é o ponto que merece uma reflexão mais profunda.
Chapadão do Sul possui um eleitorado significativo e uma economia que coloca o município em posição de destaque na região. Mesmo assim, há anos enfrenta dificuldade para eleger um representante local para a Assembleia. A pergunta que fica é: por que um município com esse potencial não consegue construir um consenso mínimo em torno de um nome?
Cada eleição, o mesmo problema
O cenário atual lembra o que aconteceu nas eleições anteriores. Naquela ocasião, o vereador Sapo chegou a despontar como um nome com boas possibilidades de conquistar uma cadeira na Assembleia. Entretanto, outros nomes também foram colocados na disputa. O resultado foi a divisão dos votos. No final, Chapadão do Sul não elegeu ninguém.
A história pode estar se repetindo. Basta surgir um nome com alguma perspectiva eleitoral para que, quase imediatamente, apareçam outras candidaturas.
Não se trata de questionar o direito democrático de qualquer cidadão disputar uma eleição. Todos têm esse direito. O problema é político e estratégico: cinco candidaturas locais disputando praticamente o mesmo eleitorado podem representar cinco caminhos diferentes para o mesmo resultado — nenhum eleito.
Enquanto isso, deputados estaduais de outras regiões que contavam com o apoio de determinadas lideranças de Chapadão do Sul podem acabar descobrindo que os acordos políticos não eram tão sólidos quanto imaginavam.
Em outras palavras, muita gente pode acabar ficando a ver navios.
Falta estratégia política
O mais preocupante não é necessariamente a quantidade de candidatos, mas a ausência de uma estratégia coletiva.
Chapadão do Sul parece não conseguir estabelecer um projeto político de médio e longo prazo para conquistar uma representação na Assembleia Legislativa.
Em vez de pensar em quatro anos, muitas vezes a discussão começa quando a eleição já está próxima.
E política eleitoral exige planejamento.
Seria perfeitamente possível que as principais forças políticas do município discutissem, com antecedência, um projeto para construir um nome competitivo, trabalhar sua candidatura durante quatro anos, fortalecer suas bases e, paralelamente, manter um segundo nome como alternativa.
Mas isso exige diálogo, renúncia e, principalmente, entender que política não é apenas uma disputa individual.
Direita também sofre com falta de organização
O fenômeno não está restrito a um único grupo político. No campo da direita, por exemplo, Chapadão do Sul parece reproduzir, em escala municipal, um problema que também é observado no cenário nacional: a dificuldade de construir unidade em torno de um único nome.
São vários grupos, partidos e lideranças defendendo seus próprios candidatos, cada um acreditando possuir a melhor alternativa.
O resultado é a fragmentação.
Enquanto isso, do outro lado do espectro político, existe uma estratégia diferente: trabalhar durante anos em torno de um nome considerado prioritário e, ao mesmo tempo, manter uma segunda opção preparada para uma eventual mudança de cenário.
Não significa que essa estratégia garanta eleição. Mas aumenta a possibilidade de concentração de votos.
Política muda até o último minuto, É preciso, entretanto, fazer uma ressalva.
Em política, nada está definido até o último momento.
Candidaturas podem ser retiradas, alianças podem ser construídas, grupos podem mudar de posição e um nome que hoje parece ter pouca força pode crescer durante a campanha.
Por isso, ainda é cedo para cravar qualquer resultado.
Mas uma coisa já pode ser observada: Chapadão do Sul novamente chega ao processo eleitoral sem consenso em torno de um projeto capaz de garantir uma representação própria na Assembleia Legislativa.
E esse talvez seja o maior problema.
Não faltam nomes.
Não faltam lideranças.
Não falta eleitorado.
O que parece faltar é união e estratégia.
Se os cinco candidatos permanecerem na disputa até o fim, será inevitável que os votos do município sejam divididos. E, caso nenhum consiga atingir uma votação suficiente para se eleger, Chapadão do Sul poderá assistir novamente ao mesmo filme: muitos candidatos, muitas promessas, muitos votos espalhados e, ao final, nenhum deputado estadual para chamar de seu.
A eleição ainda está longe de terminar. As articulações continuarão e muita coisa pode mudar.
Mas fica a pergunta para as lideranças políticas do município:
Chapadão do Sul quer apenas ter candidatos a deputado estadual ou realmente quer eleger um representante?
Porque são duas coisas completamente diferentes.





