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Foliões da Capela “Divino Espírito Santo”, realizaram a saída da bandeira

por Alcinópolis News
11 de maio de 2026
em Camapuã, Destaque, Figueirão
0
Foliões da Capela “Divino Espírito Santo”, realizaram a saída da bandeira

Foliões da Capela “Divino Espírito Santo”, realizaram a saída da bandeiraEsse ano de 2026, a Comunidade Quilombola Santa Tereza, município de Figueirão, está realizando a 115ª Festa do Divino Espírito.

O chefe de gabinete, Cleiton Cosme, acompanhou hoje 10/05 – domingo, os foliões da Capela Divino Espírito Santo realizaram a tradicional soltura da bandeira, mantendo viva a fé, a devoção e a cultura da comunidade. Um momento especial de união, oração e celebração em honra ao Divino Espírito Santo.

A saída da bandeira iniciou, com encontro dos foliões e preparação para saída da bandeira, em seguida foi servido um delicioso almoço a todos que se faziam presente, logo após o almoço os foliões receberam a benção e seguiram com a bandeira, onde estarão percorrendo a região por 15 dias.

Na oportunidade, os festeiros Joaquim Amorim Malaquias & Sirleia Aparecida Rodrigues Malaquias e Aparecido Malaquias da Silva & Creunice Paulino de Lima convida a todas as famílias para juntos, receberem a bandeira “Divino Espírito Santo Santa”, no dia 23 e 24 de maio.

Veja a programação:

CHEGADA DA BANDEIRA

23 de maio (sábado)

15h00 – Chegada da Bandeira e Foliões.

17h30 – Santa Missa.

18h30 – Jantar (Levar pratos e talheres).

Obs. Encerramento da janta as 21h00.

20h00 – Reza de Santo Terço, hasteamento do mastro e queima de fogueira.

21h30 – Dança do Catira.

22h00 – Baile e Leilão.

24 de maio (domingo)

07h00 – Café da Manhã

08h30 – Sorteio para Festa de 2027.

10h00 – Música ao Vivo.

10h30 – Leilão.

12h00 – Almoço (Levar pratos e Talheres)

Observação: Os festeiros informam que as refeições serão gratuitas, na oportunidade pede a compreensão de todos, que não serão permitidos entrar com bebidas no local da festa.

HISTÓRICO – FESTA DO DIVINO

Por volta de 1909 a região foi assolada por uma epidemia de febre, fazendo vítimas algumas pessoas componentes da família Malaquias.

Depois de recorrer a todos os remédios e chás caseiros conhecidos sem nenhum resultado, num momento de desespero Dona Maria Francelina pede ajuda ao Divino Espírito Santo, seu santo protetor. Faz pedido sincero e fervoroso. Se conseguisse descobrir algum remédio que salvasse seus entes queridos, faria todos os anos uma Festa em Louvor do Divino Espírito Santo. Como que iluminada saiu pelo cerrado à procura de raízes e com estas preparou remédios obtendo ótimos resultados.

Por quatro anos o Sr. Divino Espírito Santo foi festejado com terço, comes e bebes não aglomerando muita gente, somente os mais próximos.

Dona Maria Francelina ainda não estava satisfeita, queria uma demonstração ainda maior para louvar o milagre recebido.

Idealizaram e começaram a procurar um guia para encabeçar o “Giro da Bandeira” pelos moradores da vizinhança, e não havia encontrado, até que chegou a região um goiano cujo nome era Francisco Rodrigues. Este Senhor era profundo conhecedor do “Giro da Bandeira”, pois em Goiás era o “Folião de Guia” (Chefe) da Bandeira e assim começou verdadeiramente a festa a ter todos os pré-requisitos com que idealizou Dona Maria Francelina.

O “Giro” da Bandeira teve início em 1913. Planejavam e traçavam com antecedência o roteiro que os foliões deveriam fazer avisando os moradores por onde passariam. Venciam grandes distâncias a cavalo visitando todas as casas. Este percurso era demorado, levavam cerca de 45 dias para realizá-lo.

Por onde passavam, faziam preces sendo que seus terços eram cantados e acompanhavam com instrumentos de cordas e percussão. Nessas andanças recolhiam as prendas que eram oferecidas ao Sr. Divino para a festa serem realizada.

Fez parte desta primeira comitiva quarenta cavaleiros cujos animais pertenciam ao Senhor Joaquim Malaquias.

Dentro do “Giro da Bandeira” respeitam-se tradições: não se mata nenhum animal mesmo que selvagem. Por hipótese alguma podem chegar ao lugar de pousada depois que o sol se põe (isto porque eles acreditam e afirmam: se chegar depois que o sol se por em algum morador no ano seguinte o “giro” perderá um de seus foliões; e eles comprovam com fatos acontecidos, por terem transgredido as tradições pouco tempo depois um deles adoece e morre). Fazem orações se encontram Túmulos em seu trajeto, (isto é comum porque os moradores costumavam enterrar seus familiares próximos de suas casas). Não entram em casa se não forem convidados a apearem de suas montarias pelo dono da casa. O alferes (é o chefe e aquele que tem a obrigação de zelar e carregar a Bandeira durante o “Giro” é quem distribui a alimentação aos componentes da comitiva).

Todos os que encontram a Bandeira do Sr. Divino, devem beijá-la e passar por baixo da mesma em sinal de pedido de proteção. Terminando o trajeto são esperados com hora marcada no local onde será a festa. Ao longe se houve o repicar da caixa anunciando que a comitiva se aproxima. São recebidos com fogos e vivas. Rezam o terço a noite, se paga promessas e levanta-se a Bandeira (não é a que acompanha o “Giro”, lá fora arde à fogueira).

A diversão só termina no terceiro dia com o sorteio do festeiro do próximo ano. Para entrar neste sorteio não tem limites de idade. No encerramento da festa são entregues aos futuros responsáveis todos os encargos: festeiros e o seu ajudante, festeira e sua ajudante, a rainha do altar (pessoa sorteada para fazer a arrumação do altar durante os dias de festa), o alferes, o campeiro de tropa, as cozinheiras, etc.

Além deste sorteio faz-se também o sorteio para os que querem doar comes e bebes para a festa do próximo ano. Todos dão sua parcela de colaboração, sorteiam desde uma vaca gorda até as mínimas coisas necessárias. A comida e os doces são distribuídos em abundância. Na primeira noite de festa, logo depois de rezar o terço, que é tradicional, ergue-se o mastro. Os antigos diziam e ainda hoje acreditam que ao amanhecer do dia, o Santo representado no mastro estará voltado para a direção da residência do futuro festeiro.

Segundo o desejo de Dona Maria Francelina esta festa só poderá deixar de existir se for encerrada da mesma forma como começou com o mesmo número de pessoas e que os animais pertençam ao mesmo dono como da primeira vez.

Esta festa continua até hoje com algumas modificações, mas na sua essência é a mesma de 1913.

E pelo Decreto Estadual nº 10.719, de dezembro de 2021 nossa Festa de tornou PATRIMÔNIO IMATERIAL DE MATO GROSSO DO SUL.

Fonte do histórico – Instagram – @capela_divino.espirito.santo

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