O debate presidencial deste domingo (18), realizado pela Band, apresentou Flávio Bolsonaro (PL) com uma agenda capaz de responder aos desafios impostos pela modernidade, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) persiste na continuidade de um modelo político e econômico que já atravessou seus mandatos anteriores e não foi capaz de responder às reais necessidades do Brasil.
Embora o confronto tenha sido marcado por acusações pessoais e momentos de tensão, as diferenças mais importantes apareceram quando os candidatos trataram de economia, endividamento das famílias, segurança pública e saúde.
Flávio Bolsonaro deslocou o debate da memória das realizações passadas para as necessidades concretas do presente e os avanços que o futuro requer.
Ao abordar o endividamento das famílias, o custo de vida, a violência e a modernização dos serviços públicos, Flávio sinalizou com uma concepção de governo mais orientada à eficiência, à autonomia econômica dos cidadãos e à recuperação da capacidade de crescimento do país.
Por sua vez, Lula recorreu repetidamente ao seu histórico de governo, às conquistas sociais e aos indicadores econômicos de administrações anteriores.
É uma estratégia que revela a dificuldade de apresentar respostas verdadeiramente novas para problemas que persistem, mesmo depois de tantos anos de seu protagonismo político e do Partido dos Trabalhadores.
A principal fragilidade do discurso de Lula está na tentativa de sustentar que políticas ultrapassadas continuam suficientes para enfrentar uma realidade econômica muito mais complexa.
O Brasil convive com uma dívida pública superior a R$ 11 trilhões, juros elevados, famílias comprometidas financeiramente e um ambiente de negócios que ainda impõe dificuldades a quem deseja investir, produzir e gerar empregos.
Nesse contexto, não basta recordar conquistas sociais ou defender a ampliação de benefícios. É necessário explicar como financiar as políticas públicas sem agravar o desequilíbrio fiscal, como reduzir estruturalmente o custo do crédito e, principalmente, como transformar a dependência de programas governamentais em oportunidades reais de prosperidade.
Foi nesse terreno que Flávio apresentou uma das diferenças mais relevantes. Sua proposta de renegociação das dívidas familiares, com suspensão temporária de cobranças e oferta de crédito mais barato, procurou responder a uma dificuldade imediata de milhões de brasileiros. A medida representa uma tentativa de enfrentar diretamente o comprometimento da renda das famílias.
Enquanto Lula privilegia a continuidade de mecanismos de proteção e redistribuição de renda, Flávio defende associar a proteção social à autonomia financeira, ao empreendedorismo e à geração de patrimônio.
Na segurança pública, o contraste também foi significativo.
Flávio Bolsonaro defendeu o endurecimento do combate às organizações criminosas, a classificação de facções como terroristas e o uso de tecnologias de monitoramento e identificação de criminosos. Lula respondeu com a defesa de uma maior coordenação federal, por meio da PEC da Segurança Pública e da criação de um ministério específico.
A proposta de Flávio tem um mérito político evidente: colocar a recuperação do controle territorial e a proteção do cidadão no centro da estratégia de segurança nacional..
Na saúde, Flávio apresentou a proposta de estabelecer um padrão de qualidade inspirado no Hospital Albert Einstein, com prontuário eletrônico unificado, integração de informações e ampliação da telemedicina. Também anunciou Claudio Lottenberg como seu eventual ministro da Saúde.
Lula defendeu a expansão de programas existentes, como o Mais Médicos, e questionou os riscos de privatização do SUS. A distinção mais relevante está no enfoque administrativo.
A proposta de Flávio aponta para o uso da tecnologia e da integração dos serviços como instrumentos para reduzir filas, melhorar diagnósticos e ampliar a eficiência do atendimento. Não se trata de abandonar o papel do Estado, mas de exigir que ele entregue resultados compatíveis com os recursos que consome.
O Brasil de 2027 exige respostas para uma economia global transformada pela inteligência artificial, pela revolução tecnológica, pela disputa por investimentos e por novas formas de produção. Exige também um Estado menos burocrático, mais eficiente e capaz de combater a criminalidade sem perder de vista a responsabilidade fiscal.
O mérito de Flávio, não só no debate da band, mas em toda a campanha, tem dito o de apresentar essa mudança de perspectiva.
A questão central desta eleição, portanto, não é a tentativa de se manter um projeto de poder, como o de Lula, que já está na sua 7º disputa presidencial – mas quem demonstra maior capacidade de compreender o Brasil que precisa ser construído. E, Flávio, mais uma vez mostrou ao que veio.
Lula oferece a continuidade de um modelo cuja capacidade de produzir novos resultados é severamente questionada por amplos e diversos setores da sociedade. Flávio apresenta uma alternativa que se propõe a romper com essa lógica, valorizando modernização, eficiência, segurança e liberdade econômica.
No próximo dia 25 de outubro, o eleitor terá diante de si a escolha de prolongar um ciclo político conhecido e, comprovadamente, incapaz de colocar o Brasil nos trilhos da modernidade ou votar em um projeto que promete preparar o país para a nova realidade sócio-econômico do seu próprio território.
Séculos antes da televisão e dos debates presidenciais, Nicolau Maquiavel já advertia, em O Príncipe, que os homens tendem a julgar mais pelo que veem do que por aquilo que efetivamente conhecem. A reflexão permanece atual: em um confronto político, a força da imagem e do discurso pode impressionar, mas é na consistência das ideias, na viabilidade das propostas e na capacidade de transformá-las em resultados que se encontra a verdadeira medida de um projeto de governo.
E essa foi a mensagem política mais importante do debate deste domingo: o Brasil não precisa apenas de mais um governo. Precisa de um novo caminho.
Flávio Bolsonaro e Lula durante o debate da Band – Foto: Reprodução
Por Ulysses Cosenza, jornalista/publicitário e CEO do Grupo UCRcom com sede em Brasília e que edita o website Conectems em Campo Grande/MS.




